Fala, Fiel!
A coluna desta semana está gigante! São quatro entrevistas super legais com algumas mulheres que frequentam as arquibancadas e seguem o Corinthians por todo o país. A primeira delas é a Leonor Macedo, que já teve texto publicado aqui, e é integrante da Gaviões da Fiel. A Leonor falou muita coisa legal e interessante sobre as mulheres e as organizadas. Depois, entrevistei a Rah, menina de 15 anos e mais torcedora que muito marmanjo por aí. Ela faz parte do Movimento da Rua São Jorge. A Lilika, da Camisa 12, contou um pouco da sua vida de torcedora. E a Claudinha passou um pouco das suas experiencias na Pavilhão 9. Vale a pena conferir!
Leonor Macedo (Gaviões da Fiel)
Yule diz: Bom dia, Leonor! Obrigada por aceitar o convite do Blog para participar do Fala, Fiel! Pode começar se apresentando? Nome, idade, profissão, filhos…
Leonor Macedo diz: Meu nome é Leonor Macedo, tenho 26 anos, sou jornalista formada (embora não tenha mais diploma), tenho um filho chamado Lucas de 7 anos e ele também corinthiano apaixonado!
Yule diz: Ele já foi ao Estádio? Lembra quando você começou a ir? Seus pais são Corinthianos?
Leonor Macedo diz: Lógico que já. Ele vai desde a barriga. Quando era pequenino, deixei de levá-lo, mas quando completou dois anos ele voltou a me acompanhar. Ele adora ir ao estádio. Eu comecei um pouco mais tarde que ele, no fim da década de 80, aos 7 anos. Fui levada pelo meu tio, que é corinthiano doente, daqueles que ficam doentes de verdade. Tem que tomar calmante em dia de jogo. Fica com taquicardia.
Meus pais são corinthianos sim. Aliás, o corinthianismo é de família. Quando meu pai era mais novo, antes de conhecer a minha mãe, ele não ligava muito para futebol. Depois, quando namoravam, ela o levou ao jogo de 77, na final. Nunca mais ele deixou de amar o clube e nossa torcida.
Yule diz: Aeee… a mulherada mandando ver! Eu sei que você tem (ou teve) certo envolvimento na Torcida Organizada. Pode contar um pouquinho pra gente?
Leonor Macedo diz: Eu acredito na torcida organizada como um espaço de mobilização importante da sociedade. Pertencer a uma é mais do que simplesmente torcer para o Corinthians. Eu nasci corinthiana, vou ao estádio desde pequena, não pertenço a nenhuma torcida organizada para afirmar isso. O que me faz pertencer a uma torcida organizada é a circunstância de que nesse país o torcedor não tem voz.
Alguém sozinho é quase incapaz de mudar alguma coisa. Para isso, grupos se organizam. Mais gente falando e lutando por alguma coisa em comum deve ser mais fácil de ser ouvido, a gente faz mais barulho. Para isso surgiram as torcidas organizadas. Para gritar a mesma coisa dentro e fora do estádio. Seja apoiando o Coringão, seja além das arquibancadas, cobrando o clube, fiscalizando as diretorias.
O nosso futebol é corrupto, em quase todas as suas esferas. Temos dirigentes apodrecendo nas cadeiras dos clubes, das federações e das confederações. Onde tem muito dinheiro, tem sempre alguém parasitando. Temos uma imprensa quase toda conivente, com raras excessões. Temos um Estatuto que não é cumprido.
Para cada craque que aparece, há outros cem meninos sendo escravizados, separados de suas famílias e exportados para fora. Tudo sob a desculpa de que isso é um grande sonho a ser realizado. Além de trabalho infantil, é tráfico humano. Para cada menino exportado, há um empresário rico.
Temos uma violência cada vez maior, fruto de uma infra-estrutura falida que envolve impunidade, falta de fiscalização, truculência e outros 500 problemas sociais desse país.
Fora isso, existem mais incontáveis problemas dentro do nosso futebol.
Como conseguiríamos gritar contra tudo isso se não estivéssemos minimamente organizados? Talvez, no decorrer das histórias das torcidas organizadas, o objetivo principal de ser contestadora tenha se perdido para coisas menores e muito menos importantes. Mas é para isso que ela existe. E é pensando nisso que eu faço parte.
Yule diz: Muito interessante saber que a torcida pode desempenhar esse papel. Mas eu me pergunto… quando lemos notícias sobre organizadas, sempre envolve violência, morte e tantas outras manchetes negativas. Os integrantes dessas organizações têm a mesma consciência que você? É a minoria que pensa assim, ou existe um pensamento coletivo? Como funciona esse trabalho dentro de uma torcida?
Leonor Macedo diz: São muitos os motivos que fazem uma pessoa se associar. Tem gente que vai pela festa na arquibancada, tem gente que vai pelo carnaval, tem gente que vai com a mesma consciência do que eu. Aliás, quando me aproximei da torcida organizada, ainda nova, foi pelo foguetório e pela festa na arquibancada mesmo. Como eu sempre ia ao estádio, fiz amigos na torcida e passei a frequentar os Gaviões da Fiel vez ou outra. Mas depois busquei, fui atrás da história, saber o que rolava e por isso me associei.
Essa parte contestadora não é a única função de uma torcida organizada, certamente. Existe a festa, existe o canto, existe o apoio ao time incondicional por todo o país. Essas são as duas funções da torcida. O resto, o que ocorre, não é objetivo. A violência nunca foi um objetivo da torcida organizada, como é sempre colocado. Ela acaba sendo consequência de uma falência geral que ocorre dentro e fora do futebol. Ou os índices de violência não aumentam cada dia mais no trânsito, na noite, no boteco, na universidade, onde quer que seja?
O que ocorre é que onde existe mais desigualdade social, existe mais violência. É por isso que no futebol é assim. E mexe com um lado irracional das pessoas também. Eu penso, você pensa, meus amigos pensam antes de fazer. Se a gente sai por aí socando o outro porque ele está com uma camiseta de outro time, a gente tem o que perder. Mas uma parte desse povo que frequenta o futebol não tem nada a perder e não teve nem o básico na vida. Essa é uma parte. A outra parte é que o torcedor é quase sempre maltratado, mesmo sendo o maior consumidor do futebol. Passa 8h em uma fila, paga R$ 30 no ingresso, R$ 150 em uma camisa. E ganha R$ 400. São essas pessoas que consomem o futebol. São eles que sempre lotam o estádio, que vão em dia de chuva e de sol de 40°.
São essas pessoas que esperam pacientemente o fim do horário da novela e que vão pra casa andando depois do fim do jogo porque acabou a condução. E elas moram longe. São essas pessoas que enfrentam a muvuca pra entrar no estádio, que tomam cacetada de polícia.
E elas não desistem. Se o Corinthians perder 15 partidas seguidas, elas continuam indo no estádio.
Aí você pode pensar: “mas que idiotas… passam por tudo isso e continuam indo?”, mas eu te lembro que o futebol é o ÚNICO momento de lazer que esse cara tem durante a semana.
Eu e você crescemos indo no cinema, no teatro, no restaurante, jogando conversa fora com a nossa família. Talvez a gente pense duas vezes antes de ir ao estádio em um dia de temporal, embora a gente ame o Corinthians tanto quanto qualquer um.
Mas para a maioria das pessoas que consome o futebol é tudo diferente.
Não estou tentando aqui justificar aquilo que considero injustificável. O que acho é que as pessoas precisam começar a se ligar que as torcidas organizadas não são as únicas responsáveis por um problema social, que é responsabilidade de todos os envolvidos.
A questão é que quanto mais alienado, mais esse povo continua a consumir quieto, sem se atentar aos seus direitos e deveres. Para quem é interessante que os torcedores não se organizem, não lutem por um ingresso mais baixo, por uma organização e conforto mínimos para ver um jogo? Por um tratamento digno, previsto em estatuto?
Hoje os Gaviões da Fiel tem mais de 70 mil associados. Você pode imaginar o que seria se a maioria estivesse lá para buscar a violência, como dizem Promotoria, imprensa, Federação, polícia? Teríamos um futebol muito mais caótico do que o quadro pintado. O Milton Santos, um dos grandes pensadores que a gente teve nesse país, sempre dizia que pelo número de internos na nossa Febem dava pra considerar que a juventude brasileira era feita de um bando de bunda-moles. Porque a juventude brasileira sequer tinha uma lei que protegesse seus direitos (e até hoje ainda não tem). A juventude brasileira não tem emprego, não tem estudo, não tem lazer. Acontece isso no futebol brasileiro também. O dia que o torcedor entender a força que tem e se revoltar contra tudo aquilo que sofre, aí sim a gente vai ter um quadro diferente.
Yule diz: E, pelo pouco que entendo, acho que as torcidas do Corinthians são as que estão mais próximas desse caminho. Veja o que fizemos com nosso time, né!?! Mas além de ter essa filosofia, a Torcida faz algo a respeito? Existem palestras? Conversas? Ações antiviolência, antidrogas? Orientações?
Leonor Macedo diz: Pois é, o Movimento Fora Dualib nasceu dentro das torcidas organizadas, depois de muita discussão sobre a política interna do Corinthians. Esse é um dos frutos importantes de um grupo mobilizado, falando a mesma língua. O Dualib só caiu depois que os torcedores fizeram pressão.
Não respondo pela Gaviões da Fiel porque não pertenço a diretoria, mas posso falar o que ocorre. Quando a gente se associa, para pegar a carteirinha é preciso participar de uma reunião onde colocamos a ideologia da entidade, que nasceu em 1969 nas mãos de figuras incríveis como Flávio La Selva e Joca.
Quem participa dessa reunião sabe que a Gaviões nasceu para contestar e reinvindicar dentro e fora do Corinthians. O resto não é nosso objetivo.
O que passa é que as torcidas organizadas não podem cumprir um papel do Estado, né?! É o Estado que deve dar subsídios para que a gente não use drogas, não saia socando os outros por aí a troco de nada, saiba resolver as desavenças com um diálogo, talvez.
Mas se a escola, por exemplo, não nos ensina nem a ler e a escrever direito, que dirá formar cidadãos com algum senso crítico, com um bom nível de cidadania. É o que eu te disse, a gente não tem nem o básico.
Quando a gente cai no erro de cobrar da torcida organizada uma formação que é do Estado e da família, o que acontece são essas falhas que a gente tá careca de ver.
Pode ser que a gente até tente com conversa, com batucada, com palestras, com feijoada de sábado, com escolinha de bateria, com aula de cavaco, com oficina de grafitte, com isso e aquilo. Mas a gente não vai conseguir porque não é papel nosso. O nosso papel é juntar torcedores do Corinthians para debater sobre Corinthians e o futebol. Isso a gente faz. A maioria dali só fala sobre o Corinthians.
Tem gente que até mata por conta do Corinthians. O Estado devia dar o resto, não?! Devia dar a chance de a gente falar sobre outras coisas talvez. Para então a gente poder falar sobre o Corinthians de maneira mais consciente, mais crítica, ainda mais organizada.
Yule diz: Perfeito. O buraco é muito mais embaixo. Mudando um pouco o foco, gostaria de saber como você se sente sendo uma mulher, jovem, e que gosta desses temas relacionados ao futebol mais do que muito homem? Já sentiu preconceito? Como é ser mulher e participar dessas discussões? Sempre tivemos grandes Corinthianas… você me falou da sua mãe, você com seu filho… Enfim, como é isso?
Leonor Macedo diz: Participar dessas discussões é bastante difícil. O lugar das mulheres no futebol vem sendo construído pouco a pouco, com muita paciência. Nós podemos ir ao estádio, podemos pertencer às torcidas organizadas, mas na hora de decidir, de participar, o ambiente ainda é sempre muito restrito. Porque o machismo também é um daqueles incontáveis problemas do futebol.
O que acontece é que então, para conquistar o seu espaço, a mulher precisa realmente entender duas vezes mais de futebol do que muito homem. Precisa ler, precisa se informar, precisa acompanhar, precisa mostrar a que veio, precisa levar duas vezes mais a sério. É por isso que temos muitas mulheres hoje em dia conversando com muito mais embasamento do que muito homem por aí.
Ao mesmo tempo, a gente precisa ter a humildade de saber que isso é um lugar conquistado. Saber reconhecer que cada espaço conquistado, por mínimo que seja, deve ser celebrado e agarrado com unhas e dentes sempre.
No começo da minha participação da torcida, eu nunca conseguia entrar nas discussões sobre futebol. Depois, quando comecei a mostrar que sabia do que estava falando, alguns espaços me foram abertos. Eu podia ouvir as conversas, mas não conseguia falar quase nunca. Eram cerca de 30 homens gritando, aquela muvuca louca. Lógico que eu gritava mais baixo. Sempre fui paciente.
Aos poucos, conquistei meu tempo de fala. E quando a gente fala coisas importantes, sérias, inevitavelmente todo mundo para pra te ouvir, independente de seu gênero. Com o passar do tempo, os marmanjos da torcida foram me chamando pra participar. O que era um espaço que antes eu fazia questão de participar, agora algumas pessoas fazem questão que eu participe.
É assim dentro e fora da torcida, é assim na roda de amigos também. Sempre que todo mundo se reúne para ver um jogo em algum lugar, quando não vou ao estádio, as pessoas me chamam, me ligam, nunca se esquecem de ver o jogo comigo. A gente acaba se tornando referência.
Fora que, para namorar comigo, por exemplo, não precisa nem ser corinthiano necessariamente. Mas precisa entender que essa paixão é uma das minhas prioridades. Que de quarta, sábado e domingo o futebol é sagrado. Eu namorei um cara que fazia o jantar enquanto eu estava no jogo do Coringão. São outros tempos e é sempre daqui para a frente.
Yule diz: Entendo perfeitamente do que você fala. Apenas lamento que existam algumas mulheres que queiram usar o Corinthians ou o futebol para aparecer, apelar… isso acaba desmoralizando um pouco quem realmente está comprometida em trocar idéias. Acha tranquilo frequentar o estádio, mesmo na arquibancada, sendo mulher, com criança? Muita gente tem medo, não acredita quando eu falo que é bem tranquilo…
Leonor Macedo diz: Ah, mulheres que querem aparecer ou apelar, não são problemas nossos, né?! É algo que não me incomoda, sinceramente, porque elas são diferentes de mim, das minhas amigas. Eu sei que essas meninas têm vida curta, dentro e fora do futebol. Vida curta no sentido de 5 minutos de fama. Elas não conquistam espaço nenhum, nem acho que fazem com que a gente perca.
Porque todo mundo sabe que a Yule pensa e age diferente, a Leonor pensa e age diferente, a Madalena, lá no começo dos Gaviões, pensava e agia diferente. A gente tem que se preocupar com aquilo que realmente importa e rebolado não importa. Se quiser rebolar no alambrado, não tô nem vendo. Tô assistindo o jogo.
Quanto a ter filho, por ir desde sempre, existem algumas regras de segurança.
Eu me apaixonei pelo futebol tomando picolé de limão e vendo o Neto jogar. Respeitando a minha idade, o meu entendimento de futebol e a minha paciência para o jogo. Foi assim que fiz o Lucas se apaixonar também. Levei ele ainda pequenino, sentei com ele na arquibancada, em uma parte sem tanta muvuca, dei picolé pra ele e deixei ele brincar com outras crianças.
De vez em quando ele via o jogo, de vez em quando brincava, de vez em quando subia e descia os degraus amarelos do Pacaembu. Aos poucos, conforme foi crescendo, foi prestando mais atenção.
Ele vai em jogos específicos. Não dá pra esperar, por exemplo, o fim da novela pra ele ver o jogo. Nem dá pra levar quando está chovendo, nem quando está muito frio, nem quando tem 30 mil torcedores para entrar, mesmo que sejam apenas torcedores corinthianos. Muvuca nunca combina com criança pequena.
Acho que bom senso também é capaz de criar torcedores apaixonados. Ele não foi para Porto Alegre, logicamente. Mas me ligou assim que o jogo terminou e assim que a gente foi campeão. Me ligou gritando de felicidade.
Yule diz: Ele não foi, mas vc foi pra Porto Alegre, que eu viiii!! Costuma viajar pra ver o Timão? Já foi a muitas caravanas? Como funciona?
Leonor Macedo diz: Desde que o Lucas nasceu, ando devagar para viajar. Não é simples ir para muitos lugares, fazer bate-e-volta, passar um dia e meio dentro do ônibus, ou uma hora dentro de um avião, que seja. É caro, é cansativo e o chefe muitas vezes não entende. Mas quando é possível, eu vou. Acho que estou ficando velha também rs. Apesar de ter 26 anos, meu pique hoje é diferente da época que tinha 16.
Fui para Porto Alegre de avião, às 5h da manhã na quarta e voltei às 8h da manhã da quinta. Duas noites sem dormir me fizeram dormir quase 24 horas no fim de semana. Dormia junto com o Lucas, às 9h a noite, e acordava às 9h da manhã. Só assim para repor as energias.
As caravanas são divertidas. O povo vai bebendo, batucando, cantando músicas do Corinthians. Os ônibus são meia boca porque o preço tem que ser baixo, é muito mais vantajoso financeiramente viajar com a torcida do que ir em ônibus de linha.
Yule diz: Mas e como rola de respeito com a mulherada? Higiene, Intimidade? Tem que encarar o perrengue mesmo?
Leonor Macedo diz: Tem que encarar o perrengue mesmo. O banheiro é meia boca também. Muitas vezes o que acontece é que há um ônibus diferenciado para mulheres, mães e crianças. O respeito da torcida organizada pelas mulheres e crianças é quase cristão. A figura da mãe, então, é sagrada. Pode ver: naquela muvuca louca de fila, por exemplo, quando tem uma mãe segurando uma criança, os torcedores abrem espaço. “Tem criança na fila! Tem mulher na fila! Respeita ae” Quantas vezes você já não ouviu isso naquela muvuca, com a polícia prestes a descer a cacetada?
Yule diz: Você acha que o número de mulheres na arquibancada tem aumentado? Isso pode influenciar na postura da torcida como um todo? Digo, quando conquistarmos voz mais ativa…
Leonor Macedo diz: Acho que tem aumentado sim. A questão é que antes poucas mulheres iam ao estádio sozinhas, geralmente acompanhavam pai, irmãos, marido, namorado. Hoje em dia, as coisas mudaram de figura. Tem homem indo para acompanhar a esposa agora. Eu mesma, quando vou, geralmente vou sozinha e encontro uma porção de amigos no estádio. Fui eu que levei meu filho pela primeira vez no estádio, não o pai.
Eu que incentivo meu pai a continuar indo. Ao mesmo tempo, também já contei que foi a minha mãe quem levou meu pai pela primeira vez. Acho que de uns tempos para cá, há pelo menos umas 3 gerações, o número de mulheres está cada vez maior sim.
Em relação a mudança de postura da torcida, talvez isso aconteça. Talvez as mulheres consigam levar um pouco mais de sensibilidade para as arquibancadas, um pouco mais de paciência, mas acho que o que falta não é isso. Para o que falta não tem muito o que a gente possa fazer. O que falta, que é tudo isto que disse antes na entrevista, é uma luta de homens e mulheres. De torcedores e torcedoras.
Yule diz: Leonor, você é sensacional… Espero sempre ler seus textos por aí e poder te entrevistar em muitas outras oportunidades. Gostaria de agradecer a participação no blog. Para acabar, deixe um recado para os leitores e, sobretudo, para as meninas e mulheres que leram a sua entrevista e tem medo de ir ao estádio ou vergonha de falar sobre futebol.
Leonor Macedo diz: Queria agradecer pelo espaço da entrevista e pela publicação dos textos por aqui. Agradecer pela paciência de todo mundo que chegou nesta última questão porque eu falo e escrevo muita coisa, tenho consciência disso rs. Meu recado não é bem para quem tem medo de ir ao estádio ou vergonha de falar de futebol, acho que meu recado é para todos os torcedores.
Já está mais do que na hora de abrirmos os olhos, de nos levantarmos pelos nossos direitos, de gritarmos cada vez mais alto para sermos ouvidos. De gastar nossas energias com o que realmente importa: um Corinthians guerreiro e um futebol limpo, livre de todos estes parasitas que enriqueceram (e enriquecem) às custas do nosso amor, do nosso sofrimento e da nossa devoção.
A gente tem que ter medo e ter vergonha de ficar calado quando nossos direitos de torcedor nos são usurpados. Temos uma Constituição que nos permite constituir uma torcida. Temos um Estatuto que nos diz que podemos torcer com dignidade. Temos um Código de Defesa do Consumidor que não nos deixa à mercê desta minoria que só quer tirar o nosso dinheiro.
As leis existem, basta elas funcionarem. E somos do tamanho que somos, somos gigantes. Muito maior do que essa minoria que apodrece o nosso futebol. Quando entendermos o tamanho que a gente tem, as coisas mudam de figura.
Obrigada novamente! Vai Corinthians!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Futebol e Lavagem de Dinheiro : Relatório do Gafi
Um relatório do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional - FATF, na sigla em inglês) , o futebol se tornou de fato um vetor da lavagem de dinheiro.Com mais de 20 relatos sérios de lavagem de dinheiro através do futebol, segundo o Dessus du Sport , não estamos mais falando de ’causos’...
Segundo o relatório, os criminosos não motivados apenas pelos lucros mas também pelo prestígio social. Ao comprar um clube, o crime compra junto uma entrada, ganha um certo status social. Especialmente na América do Sul, com o dinheiro do tráfico de drogas ou da Itália, com o do crime organizado. E o que é pior, não se fala apenas de lavagem de dinheiro mas também de crimes conexos, como tráfico de seres humanos, corrupção, tráfico de drogas (doping) e de crimes contra a ordem tributária.
Quer ler o relatório (em inglês) ? http://www.fatf-gafi.org/dataoecd/7/41/43216572.pdf
Segundo o relatório, os criminosos não motivados apenas pelos lucros mas também pelo prestígio social. Ao comprar um clube, o crime compra junto uma entrada, ganha um certo status social. Especialmente na América do Sul, com o dinheiro do tráfico de drogas ou da Itália, com o do crime organizado. E o que é pior, não se fala apenas de lavagem de dinheiro mas também de crimes conexos, como tráfico de seres humanos, corrupção, tráfico de drogas (doping) e de crimes contra a ordem tributária.
Quer ler o relatório (em inglês) ? http://www.fatf-gafi.org/dataoecd/7/41/43216572.pdf
Especial Futebol (IV): O Futebol-Empresa
Pretendemos trazer à discussão uma forma de gestão do futebol que faz o jogador passar obrigatoriamente por um empresariado credenciado. O sonho de 11 entre 11 dirigentes é empresariar e elitizar o futebol, transformando-o num caro espetáculo cultural. Por Tiago Ripa
Não há novidade alguma em dizer que os grandes veículos de comunicação sempre caminharam pari passu com os coronéis que, desde os tempos de Charles Miller, estiveram à frente da desorganizada organização do futebol brasileiro. Seria redundante, da mesma forma, evocar o sentido colonialista impresso ao futebol brasileiro de exímio fornecedor de matéria-prima e celeiro de craques, cujo “pé-de-obra” abastece o grande centro econômico do futebol mundial que é o continente europeu. Porém, a naturalização imposta aos últimos movimentos políticos e econômicos desenhados em tão fértil terreno dão conta de uma transformação sem precedentes na estrutura do esporte, sobretudo após a aprovação em 1998 da Lei Pelé - aclamada como a Lei Áurea [lei que aboliu a escravatura] do futebol brasileiro por extinguir os direitos de posse dos clubes sobre os jogadores - e a definitiva entrada em campo de um personagem até então mal definido: o empresário/agenciador de jogadores e técnicos. Sem qualquer alusão a um passado idílico, decorridos 11 anos desde a oficial ascensão destes investidores, cuja atuação mais descarada e explícita se dá através da firmação de simultâneas “parcerias” com variadas agremiações, não cessam as dúvidas quanto à lisura de suas ligações com atletas, times e entidades esportivas. Operando esquemas de grande influência e movimentando cifras altíssimas no mercado mundial, sua capacidade de interferência dentro das quatro linhas de jogo já é dada como certa. As questões que suscitam estas novas jogadas põem na marca da cal o ideal lúdico do jogo, as históricas tradições das equipes e a relação direta estabelecida com os torcedores. E tudo isso não somente com a anuência da mídia esportiva, mas inclusive com sua participação direta nas mais altas esferas de poder que hoje regem o mundo da bola.
Em recente matéria de capa (13 de maio de 2009) a parcial revista Veja atesta e reforça aquilo que considera a nova panacéia no futebol brasileiro: “Gol de ouro - O milionário negócio de descobrir, treinar e vender para a Europa ‘craques-bebês’ brasileiros une clubes, famílias e investidores”; poucos dias depois (23 do mesmo mês) foi a vez da comprometida Folha de São Paulo vangloriar a emergência de clubes-empresas no Brasil, liderados por reconhecidos magnatas brasileiros e estrangeiros; a manchete “Milionários viram donos de clubes em SP” dialoga com o subtítulo, que lamenta a “penúria das divisões de acesso” e faz coro à idéia defendida pela revista da editora Abril de formação e venda/empréstimo de atletas a grandes clubes do Brasil e de fora.
Para além de problematizar os interesses que levam grandes e bem sucedidos capitalistas como Abílio Diniz, J.Hawilla, ou empresas como a farmacêutica EMS e a varejista Sondas a investirem no futebol - suspeita-se que os interesses em comercializar mercadorias (na versão capitalista do futebol os jogadores também são mercadorias) sem valor fixo de mercado seria a forma mais prática para se justificar a origem de valores escusos - e considerando também a formação de uma classe de empresários especializados na área, o que se pretende trazer à discussão é o preocupante movimento de afirmação de uma forma de gestão do futebol que faz o jogador, ou aspirante a sê-lo, passar obrigatoriamente por um empresariado credenciado a abrir as portas e fazê-lo transitar pelo obscuro mundo da cartolagem do futebol. A salvo destes intermediários, somente aqueles que já atingiram reconhecido prestígio internacional e podem dispensar seus serviços; do outro lado, jogadores profissionais que não conseguem e nem podem se desvencilhar desta marcação e a grossa maioria dos meninos e jovens - desnecessário enfatizar que quase em sua totalidade de origem pobre - que vêem no futebol o único projeto de futuro. Estes, desde muito cedo cultivando a esperança da fama e da ascensão social, são presas ainda mais fáceis para estas espécies de profissionais do aliciamento, verdadeiros alcoviteiros do mundo da bola.
Motivados pela sanha do lucro rápido com o talento/trabalho alheio, os investidores do futebol apostam agora suas fichas numa nova menina dos olhos: “Centros de Treinamento” que pululam aqui e acolá, vinculados ou não a times reconhecidos; já sobressaem, inclusive, equipes/empresas especializadas somente na formação do jogador, sem atuação em campeonatos oficiais. Alguns adotam regimes de preparação intensiva, onde do nascer ao pôr do sol os meninos são moldados de acordo com as demandas do futebol internacional: força física, disciplina, eficiência e bom comportamento; tudo realizado sob os auspícios dos agentes e formalizado através de contratos, formais ou não, que vinculam transferências e rendimentos por longos anos aos “formadores” dos atletas. O mais perverso de todo este cenário é que, além da ideia estar travestida de boa ação, ela opera justamente dentro de uma lógica que nada mais faz do que espelhar e reforçar a desigualdade e exploração que grassam em nossa sociedade. Tomemos o exemplo do Cruzeiro E.C. (Minas Gerais), um grande clube brasileiro, referência por suas modernas estruturas e Centro de Treinamento: de 3500 garotos que tentam a carreira profissional em suas divisões de base, na média somente 1 ou 2 conseguem atingir o profissionalismo, não necessariamente o sucesso. A nível nacional os dados são ainda mais assustadores: dentre os jogadores profissionais brasileiros 82% ganham entre 1 e 2 salários-mínimos e somente 1,3% tem rendimentos superiores a R$ 3.500 (dados: Atlas do Esporte e Sindicato dos atletas profissionais do estado de São Paulo).
Roman Abramovitch
Paralelamente, dando corpo a esta nova tendência, medidas adotadas por times tradicionais e por novas agremiações parecem vaticinar o futuro empresarial que passa a contagiar as equipes, sobretudo no que diz respeito à manutenção dos privilégios da classe dos dirigentes esportivos e do equilíbrio entre a legalidade e a criação de subterfúgios na legislação esportiva, que dão aporte à rapinagem legalmente instituída, praticada por agentes e cartolas. Para se ter um bom exemplo, basta tomar a recente proibição imposta pela FIFA de jogadores serem vinculados a empresas que não se definem como entidades esportivas. Criou-se uma situação proibitiva na qual a saída encontrada pelos empresários foi comprar, literalmente, equipes de futebol. Na Inglaterra 15 dos 20 times da primeira divisão são propriedade de magnatas estrangeiros (fonte: futebolmagazine.com), e o clube expoente desta forma de administração, o Chelsea, é do bilionário russo Roman Abramovitch, mesmo dono, aliás, do CSKA de Moscou [Moscovo] e cujos investimentos já chegaram ao Brasil por meio da MSI-Corinthians; na Itália, o premiê [primeiro-ministro] Silvio Berlusconi é proprietário de uma série de canais de TV e jornais e também do A.C. Milan; no Brasil, como reza nossa vocação de cópia “cuspida e escarrada” (e não “esculpida em Carrara”, como seria na origem a expressão) dos movimentos econômicos do primeiro mundo, já começamos a dar nossos passos neste mesmo sentido. O empresário Eduardo Uram comprou o Tombense F.C., time da 2ª divisão mineira a quem está vinculado, por exemplo, o zagueiro Tiago Silva, ex-fluminense e hoje no Milan; Obina, recém-transferido para o Palmeiras, mesmo time onde atua Diego Souza, colega de procurador. O uruguaio Juan Figer, antigo agenciador do futebol brasileiro desde a década de 70, comprou o C.A. Rentistas, de Montevidéu (Uruguai); por seus quentíssimos contatos e respeitável influência negociou a ida de (W)Vanderlei(y) Luxemburgo ao Real Madrid e as milionárias transferências dos jogadores como Robinho e Júlio Baptista. J.Hawilla, dono da empresa de sugestivo nome, Traffic, parceira da Rede Bandeirantes e da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), vinculou-a ao recente clube que fundou, o Desportivo Brasil, que mantém contrato com jogadores no Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Cruzeiro, entre outros times. É a Traffic quem está por trás de jogadores como Keirrison, Elias, Hernanes, Fred. Wagner Ribeiro, ex-procurador de Kaká, Robinho e atualmente com mais de 100 jogadores (Neymar é sua bola da vez), iniciou recentemente uma “parceria entre parceiros”, juntando parte de seus negócios com a Traffic de J.Hawilla. Corroborando com esta sombria realidade, vários clubes tradicionais e de reconhecimento no cenário nacional já arrendaram a gerência do departamento de futebol, do profissional às divisões de base, a empresas ou grupos de empresários. Basta uma olhada rápida para ver o que se tornou a tradicional Copa SP de Futebol Jrs.: um verdadeiro portfolio de garotos presos a empresários. E ano após ano a safra é colhida cada vez mais cedo - a Federação Paulista de Futebol, que organiza a Copinha, reduziu de 23 para 21 anos, depois para 20 e agora para 18 anos a idade máxima dos atletas que disputam este torneio. Outras equipes ainda, incapazes de competir com a ferocidade do empresariado, aboliram definitivamente as divisões de base, o nascedouro de jogadores, criando uma situação absolutamente inédita e preocupante. É o caso, para se tomar um exemplo fortuito, do C.A. Bragantino.
Wagner Ribeiro
Há também um outro aspecto que marca de modo ainda mais ferrenho o ideal de competição pela sobrevivência dentro do mundo da bola. Além da já apontada obrigatória comunhão com os interesses de agentes atravessadores, os jovens em processo de formação até o almejado futuro de boleiro passam por verdadeiras provações, das quais os responsáveis únicos pelo sucesso ou pelo fracasso são somente eles próprios, preparados ou não que estejam para o sucesso ou o fracasso. Diferentemente dos processos de formação de atletas através das categorias de base das agremiações, passando pelas reconhecidas “escolinhas”, cujo start está circunscrito aos processos de militarização do futebol brasileiro nas décadas de 60/70, e nas quais a passagem por diferentes etapas conduzia os mais bem preparados ao time profissional, nos dias de hoje trilhar o caminho rumo ao profissionalismo e ao sucesso implica necessariamente em vencer pelas próprias forças num processo de acirrada competição não mais definido entre os jogadores de um time contra os jogadores de outro, mas agressivamente disputado entre os próprios jogadores de um mesmo time. Um verdadeiro serpentário moderno à moda do “salve-se quem puder”. Onde antes tínhamos históricos esquadrões, que sabíamos de cor do goleiro ao ponta-esquerda (afinal, eram jogadores que ficavam em nossos times por 5, 10 anos), hoje temos “equipes mutantes” que se esfacelam de um ano para outro (basta comparar as equipes do Santos F.C., bicampeão brasileiro em 2002 e 2004, ou as equipes campeãs brasileiras do São Paulo F.C. de 2006 e 2008). Das idealizadas “máquinas de jogar futebol”, compostas por craques e grandes jogadores, cujas histórias estavam atreladas ao time que defendiam, passamos à verdadeira “terra de cegos”, onde se espera que qualquer jogador acima da mediocridade engate no início da temporada europeia ou durante as programadas “janelas” uma transferência para o mercado externo a título de lucro. Investidores, Cartolas, jogadores e por vezes até a própria torcida já naturalizaram este discurso perverso e insidioso. Entre a formação e o esquecimento de pseudo-ídolos que despontam e “se mandam” está se reforçando um estigma que torna nosso futebol um lugar de passagem, um futebol provisório rumo a mercados mais atrativos. O futebol no Brasil está se tornando verdadeiramente uma divisão de acesso, uma segunda divisão do futebol mundial.
Dunga com os patrocinadores da CBF
Consequência direta desta gestão laissez-faire capitaneada pela CBF, instituição máxima do futebol brasileiro, é a fragorosa baixa na qualidade do futebol jogado por estas bandas, opinião unânime entre torcedores de diferentes times. Outras questões dão ainda sustentação à argumentação: ao lado da anunciada bancarrota financeira dos clubes brasileiros, onde administrações fraudulentas ganham permissiva naturalidade, vê-se crescer a admiração pelo futebol jogado lá fora e por craques de outros países. Nunca se viu tantas camisas de times estrangeiros por aqui. Sem recorrer a qualquer nacionalismo farsesco, estamos envolvidos, de fato, por ações norteadas pelo mesmo sentido colonial: vendemos a matéria-prima (jogadores) e compramos os produtos prontos (transmissões, camisetas de times, ídolos, jogos eletrônicos, estilos de jogo, etc.). Se há pouco tempo atrás somente grandes craques eram seduzidos por propostas de grandes times estrangeiros, geralmente da Itália ou Espanha - onde se disputavam os campeonatos mais ricos - hoje abriram-se canais de transferências em recônditos países da Ásia, Leste Europeu, Oceania, para jogadores que jamais conseguiram se firmar em times brasileiros de médio e pequeno porte. A eterna manutenção dos mesmos privilégios aristocráticos, os campeonatos sempre mal organizados, os times com estrutura econômica fraca conduzem a uma situação que deixa mais do que evidente a incapacidade de fazer frente às propostas do exterior; na boca da cartolagem a consequência de uma política nefasta é justificada como se sua própria causa não fosse resultado direto de suas mesmas ações. Seguindo nesta mesma linha, não surpreende que esta tendência se reforce com a seleção de Dunga dando tanto espaço para jogadores antes tidos como “2ª linha” de exportação (a lista de convocados inclui nomes como Afonso Alves, Fernando, Daniel Carvalho, Rafinha, Jô, Bobô), alguns, inclusive, coincidentemente ligados a empresários com ótimas relações com mafiosos/cartolas de fama internacional (vide Boris Berezovsky, Badri Patarkatsishvili, Rinat Akhmetov, negociantes com atuação em times da Europa e da América), sem falar no já manjado esquema de convocar para a seleção, valorizar e transferir por suntuosas cifras.
Site da CBF hospedado no portal da Globo
A CBF, por sua vez, continua a fechar novas cotas de patrocínio (somando agora 6 as empresas que injetam dinheiro na entidade: Guaraná Antarctica, Vivo, Itaú, Gillette, Tam e Nike), a firmar contratos para a Copa de 2014 e, o mais curioso de tudo, a fechar ano após ano com balancetes dignos dos mais iniciantes amadores (vide o déficit de R$ 22,1 milhões apresentado em 2006). O triste cenário torna-se ainda mais sombrio dadas as nulas perspectivas de mudanças. O Clube dos 13, cujo surgimento em 1987 trazia a proposta de rompimento com a CBF em nome dos interesses financeiros dos grandes clubes, rapidamente encontrou seu lugar sentando-se à mesa com a gestora do futebol brasileiro. Em relação à classe dos jogadores, não existe qualquer forma de organização sindical por parte dos atletas e sequer se tem notícia da existência de um sindicato que atenda unicamente aos interesses de boleiros do país. A mobilização das torcidas, fortalecida por meio das Organizadas, ainda esbarra em poréns internos e externos, como a troca de favores com administradores de clubes e a massacrante estigmatização midiática de serem os responsáveis por levar a violência aos estádios. Sua força política, marcante durante os anos da ditadura, dá hoje alguns sinais de retomada, que, embora ainda restritos, parecem ser os únicos clarões que despontam no fim do túnel. A grande mídia, por sua vez, continua a cumprir os mesmos papéis, rezando a mesma cartilha e preparando o terreno pra aquilo que é o sonho de 11 entre 11 dirigentes: empresariar e elitizar o futebol brasileiro, transformando-o num caro espetáculo cultural. O risco deste projeto a própria Veja enunciou, em ato falho e subliminar, ao usar na manchete de capa uma expressão emprestada de uma regra do futebol, evocando o dispositivo que encerrava a partida quando algum time marcava um gol durante a prorrogação (tempo-extra): “Gol de Ouro” também recebeu o nome de “Morte Súbita”, nome, aliás, bem mais sugestivo que aquele. Resta comprovar se a morte do futebol brasileiro será mesmo repentina ou lenta e dolorosa. A Copa no Brasil, em 2014, já anuncia os novos tempos de gentrificação do futebol. Quem vai querer pagar para ver?
Blog Passa Palavra : www.passapalavra.info/
Não há novidade alguma em dizer que os grandes veículos de comunicação sempre caminharam pari passu com os coronéis que, desde os tempos de Charles Miller, estiveram à frente da desorganizada organização do futebol brasileiro. Seria redundante, da mesma forma, evocar o sentido colonialista impresso ao futebol brasileiro de exímio fornecedor de matéria-prima e celeiro de craques, cujo “pé-de-obra” abastece o grande centro econômico do futebol mundial que é o continente europeu. Porém, a naturalização imposta aos últimos movimentos políticos e econômicos desenhados em tão fértil terreno dão conta de uma transformação sem precedentes na estrutura do esporte, sobretudo após a aprovação em 1998 da Lei Pelé - aclamada como a Lei Áurea [lei que aboliu a escravatura] do futebol brasileiro por extinguir os direitos de posse dos clubes sobre os jogadores - e a definitiva entrada em campo de um personagem até então mal definido: o empresário/agenciador de jogadores e técnicos. Sem qualquer alusão a um passado idílico, decorridos 11 anos desde a oficial ascensão destes investidores, cuja atuação mais descarada e explícita se dá através da firmação de simultâneas “parcerias” com variadas agremiações, não cessam as dúvidas quanto à lisura de suas ligações com atletas, times e entidades esportivas. Operando esquemas de grande influência e movimentando cifras altíssimas no mercado mundial, sua capacidade de interferência dentro das quatro linhas de jogo já é dada como certa. As questões que suscitam estas novas jogadas põem na marca da cal o ideal lúdico do jogo, as históricas tradições das equipes e a relação direta estabelecida com os torcedores. E tudo isso não somente com a anuência da mídia esportiva, mas inclusive com sua participação direta nas mais altas esferas de poder que hoje regem o mundo da bola.
Em recente matéria de capa (13 de maio de 2009) a parcial revista Veja atesta e reforça aquilo que considera a nova panacéia no futebol brasileiro: “Gol de ouro - O milionário negócio de descobrir, treinar e vender para a Europa ‘craques-bebês’ brasileiros une clubes, famílias e investidores”; poucos dias depois (23 do mesmo mês) foi a vez da comprometida Folha de São Paulo vangloriar a emergência de clubes-empresas no Brasil, liderados por reconhecidos magnatas brasileiros e estrangeiros; a manchete “Milionários viram donos de clubes em SP” dialoga com o subtítulo, que lamenta a “penúria das divisões de acesso” e faz coro à idéia defendida pela revista da editora Abril de formação e venda/empréstimo de atletas a grandes clubes do Brasil e de fora.
Para além de problematizar os interesses que levam grandes e bem sucedidos capitalistas como Abílio Diniz, J.Hawilla, ou empresas como a farmacêutica EMS e a varejista Sondas a investirem no futebol - suspeita-se que os interesses em comercializar mercadorias (na versão capitalista do futebol os jogadores também são mercadorias) sem valor fixo de mercado seria a forma mais prática para se justificar a origem de valores escusos - e considerando também a formação de uma classe de empresários especializados na área, o que se pretende trazer à discussão é o preocupante movimento de afirmação de uma forma de gestão do futebol que faz o jogador, ou aspirante a sê-lo, passar obrigatoriamente por um empresariado credenciado a abrir as portas e fazê-lo transitar pelo obscuro mundo da cartolagem do futebol. A salvo destes intermediários, somente aqueles que já atingiram reconhecido prestígio internacional e podem dispensar seus serviços; do outro lado, jogadores profissionais que não conseguem e nem podem se desvencilhar desta marcação e a grossa maioria dos meninos e jovens - desnecessário enfatizar que quase em sua totalidade de origem pobre - que vêem no futebol o único projeto de futuro. Estes, desde muito cedo cultivando a esperança da fama e da ascensão social, são presas ainda mais fáceis para estas espécies de profissionais do aliciamento, verdadeiros alcoviteiros do mundo da bola.
Motivados pela sanha do lucro rápido com o talento/trabalho alheio, os investidores do futebol apostam agora suas fichas numa nova menina dos olhos: “Centros de Treinamento” que pululam aqui e acolá, vinculados ou não a times reconhecidos; já sobressaem, inclusive, equipes/empresas especializadas somente na formação do jogador, sem atuação em campeonatos oficiais. Alguns adotam regimes de preparação intensiva, onde do nascer ao pôr do sol os meninos são moldados de acordo com as demandas do futebol internacional: força física, disciplina, eficiência e bom comportamento; tudo realizado sob os auspícios dos agentes e formalizado através de contratos, formais ou não, que vinculam transferências e rendimentos por longos anos aos “formadores” dos atletas. O mais perverso de todo este cenário é que, além da ideia estar travestida de boa ação, ela opera justamente dentro de uma lógica que nada mais faz do que espelhar e reforçar a desigualdade e exploração que grassam em nossa sociedade. Tomemos o exemplo do Cruzeiro E.C. (Minas Gerais), um grande clube brasileiro, referência por suas modernas estruturas e Centro de Treinamento: de 3500 garotos que tentam a carreira profissional em suas divisões de base, na média somente 1 ou 2 conseguem atingir o profissionalismo, não necessariamente o sucesso. A nível nacional os dados são ainda mais assustadores: dentre os jogadores profissionais brasileiros 82% ganham entre 1 e 2 salários-mínimos e somente 1,3% tem rendimentos superiores a R$ 3.500 (dados: Atlas do Esporte e Sindicato dos atletas profissionais do estado de São Paulo).
Roman Abramovitch
Paralelamente, dando corpo a esta nova tendência, medidas adotadas por times tradicionais e por novas agremiações parecem vaticinar o futuro empresarial que passa a contagiar as equipes, sobretudo no que diz respeito à manutenção dos privilégios da classe dos dirigentes esportivos e do equilíbrio entre a legalidade e a criação de subterfúgios na legislação esportiva, que dão aporte à rapinagem legalmente instituída, praticada por agentes e cartolas. Para se ter um bom exemplo, basta tomar a recente proibição imposta pela FIFA de jogadores serem vinculados a empresas que não se definem como entidades esportivas. Criou-se uma situação proibitiva na qual a saída encontrada pelos empresários foi comprar, literalmente, equipes de futebol. Na Inglaterra 15 dos 20 times da primeira divisão são propriedade de magnatas estrangeiros (fonte: futebolmagazine.com), e o clube expoente desta forma de administração, o Chelsea, é do bilionário russo Roman Abramovitch, mesmo dono, aliás, do CSKA de Moscou [Moscovo] e cujos investimentos já chegaram ao Brasil por meio da MSI-Corinthians; na Itália, o premiê [primeiro-ministro] Silvio Berlusconi é proprietário de uma série de canais de TV e jornais e também do A.C. Milan; no Brasil, como reza nossa vocação de cópia “cuspida e escarrada” (e não “esculpida em Carrara”, como seria na origem a expressão) dos movimentos econômicos do primeiro mundo, já começamos a dar nossos passos neste mesmo sentido. O empresário Eduardo Uram comprou o Tombense F.C., time da 2ª divisão mineira a quem está vinculado, por exemplo, o zagueiro Tiago Silva, ex-fluminense e hoje no Milan; Obina, recém-transferido para o Palmeiras, mesmo time onde atua Diego Souza, colega de procurador. O uruguaio Juan Figer, antigo agenciador do futebol brasileiro desde a década de 70, comprou o C.A. Rentistas, de Montevidéu (Uruguai); por seus quentíssimos contatos e respeitável influência negociou a ida de (W)Vanderlei(y) Luxemburgo ao Real Madrid e as milionárias transferências dos jogadores como Robinho e Júlio Baptista. J.Hawilla, dono da empresa de sugestivo nome, Traffic, parceira da Rede Bandeirantes e da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), vinculou-a ao recente clube que fundou, o Desportivo Brasil, que mantém contrato com jogadores no Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Fluminense, Cruzeiro, entre outros times. É a Traffic quem está por trás de jogadores como Keirrison, Elias, Hernanes, Fred. Wagner Ribeiro, ex-procurador de Kaká, Robinho e atualmente com mais de 100 jogadores (Neymar é sua bola da vez), iniciou recentemente uma “parceria entre parceiros”, juntando parte de seus negócios com a Traffic de J.Hawilla. Corroborando com esta sombria realidade, vários clubes tradicionais e de reconhecimento no cenário nacional já arrendaram a gerência do departamento de futebol, do profissional às divisões de base, a empresas ou grupos de empresários. Basta uma olhada rápida para ver o que se tornou a tradicional Copa SP de Futebol Jrs.: um verdadeiro portfolio de garotos presos a empresários. E ano após ano a safra é colhida cada vez mais cedo - a Federação Paulista de Futebol, que organiza a Copinha, reduziu de 23 para 21 anos, depois para 20 e agora para 18 anos a idade máxima dos atletas que disputam este torneio. Outras equipes ainda, incapazes de competir com a ferocidade do empresariado, aboliram definitivamente as divisões de base, o nascedouro de jogadores, criando uma situação absolutamente inédita e preocupante. É o caso, para se tomar um exemplo fortuito, do C.A. Bragantino.
Wagner Ribeiro
Há também um outro aspecto que marca de modo ainda mais ferrenho o ideal de competição pela sobrevivência dentro do mundo da bola. Além da já apontada obrigatória comunhão com os interesses de agentes atravessadores, os jovens em processo de formação até o almejado futuro de boleiro passam por verdadeiras provações, das quais os responsáveis únicos pelo sucesso ou pelo fracasso são somente eles próprios, preparados ou não que estejam para o sucesso ou o fracasso. Diferentemente dos processos de formação de atletas através das categorias de base das agremiações, passando pelas reconhecidas “escolinhas”, cujo start está circunscrito aos processos de militarização do futebol brasileiro nas décadas de 60/70, e nas quais a passagem por diferentes etapas conduzia os mais bem preparados ao time profissional, nos dias de hoje trilhar o caminho rumo ao profissionalismo e ao sucesso implica necessariamente em vencer pelas próprias forças num processo de acirrada competição não mais definido entre os jogadores de um time contra os jogadores de outro, mas agressivamente disputado entre os próprios jogadores de um mesmo time. Um verdadeiro serpentário moderno à moda do “salve-se quem puder”. Onde antes tínhamos históricos esquadrões, que sabíamos de cor do goleiro ao ponta-esquerda (afinal, eram jogadores que ficavam em nossos times por 5, 10 anos), hoje temos “equipes mutantes” que se esfacelam de um ano para outro (basta comparar as equipes do Santos F.C., bicampeão brasileiro em 2002 e 2004, ou as equipes campeãs brasileiras do São Paulo F.C. de 2006 e 2008). Das idealizadas “máquinas de jogar futebol”, compostas por craques e grandes jogadores, cujas histórias estavam atreladas ao time que defendiam, passamos à verdadeira “terra de cegos”, onde se espera que qualquer jogador acima da mediocridade engate no início da temporada europeia ou durante as programadas “janelas” uma transferência para o mercado externo a título de lucro. Investidores, Cartolas, jogadores e por vezes até a própria torcida já naturalizaram este discurso perverso e insidioso. Entre a formação e o esquecimento de pseudo-ídolos que despontam e “se mandam” está se reforçando um estigma que torna nosso futebol um lugar de passagem, um futebol provisório rumo a mercados mais atrativos. O futebol no Brasil está se tornando verdadeiramente uma divisão de acesso, uma segunda divisão do futebol mundial.
Dunga com os patrocinadores da CBF
Consequência direta desta gestão laissez-faire capitaneada pela CBF, instituição máxima do futebol brasileiro, é a fragorosa baixa na qualidade do futebol jogado por estas bandas, opinião unânime entre torcedores de diferentes times. Outras questões dão ainda sustentação à argumentação: ao lado da anunciada bancarrota financeira dos clubes brasileiros, onde administrações fraudulentas ganham permissiva naturalidade, vê-se crescer a admiração pelo futebol jogado lá fora e por craques de outros países. Nunca se viu tantas camisas de times estrangeiros por aqui. Sem recorrer a qualquer nacionalismo farsesco, estamos envolvidos, de fato, por ações norteadas pelo mesmo sentido colonial: vendemos a matéria-prima (jogadores) e compramos os produtos prontos (transmissões, camisetas de times, ídolos, jogos eletrônicos, estilos de jogo, etc.). Se há pouco tempo atrás somente grandes craques eram seduzidos por propostas de grandes times estrangeiros, geralmente da Itália ou Espanha - onde se disputavam os campeonatos mais ricos - hoje abriram-se canais de transferências em recônditos países da Ásia, Leste Europeu, Oceania, para jogadores que jamais conseguiram se firmar em times brasileiros de médio e pequeno porte. A eterna manutenção dos mesmos privilégios aristocráticos, os campeonatos sempre mal organizados, os times com estrutura econômica fraca conduzem a uma situação que deixa mais do que evidente a incapacidade de fazer frente às propostas do exterior; na boca da cartolagem a consequência de uma política nefasta é justificada como se sua própria causa não fosse resultado direto de suas mesmas ações. Seguindo nesta mesma linha, não surpreende que esta tendência se reforce com a seleção de Dunga dando tanto espaço para jogadores antes tidos como “2ª linha” de exportação (a lista de convocados inclui nomes como Afonso Alves, Fernando, Daniel Carvalho, Rafinha, Jô, Bobô), alguns, inclusive, coincidentemente ligados a empresários com ótimas relações com mafiosos/cartolas de fama internacional (vide Boris Berezovsky, Badri Patarkatsishvili, Rinat Akhmetov, negociantes com atuação em times da Europa e da América), sem falar no já manjado esquema de convocar para a seleção, valorizar e transferir por suntuosas cifras.
Site da CBF hospedado no portal da Globo
A CBF, por sua vez, continua a fechar novas cotas de patrocínio (somando agora 6 as empresas que injetam dinheiro na entidade: Guaraná Antarctica, Vivo, Itaú, Gillette, Tam e Nike), a firmar contratos para a Copa de 2014 e, o mais curioso de tudo, a fechar ano após ano com balancetes dignos dos mais iniciantes amadores (vide o déficit de R$ 22,1 milhões apresentado em 2006). O triste cenário torna-se ainda mais sombrio dadas as nulas perspectivas de mudanças. O Clube dos 13, cujo surgimento em 1987 trazia a proposta de rompimento com a CBF em nome dos interesses financeiros dos grandes clubes, rapidamente encontrou seu lugar sentando-se à mesa com a gestora do futebol brasileiro. Em relação à classe dos jogadores, não existe qualquer forma de organização sindical por parte dos atletas e sequer se tem notícia da existência de um sindicato que atenda unicamente aos interesses de boleiros do país. A mobilização das torcidas, fortalecida por meio das Organizadas, ainda esbarra em poréns internos e externos, como a troca de favores com administradores de clubes e a massacrante estigmatização midiática de serem os responsáveis por levar a violência aos estádios. Sua força política, marcante durante os anos da ditadura, dá hoje alguns sinais de retomada, que, embora ainda restritos, parecem ser os únicos clarões que despontam no fim do túnel. A grande mídia, por sua vez, continua a cumprir os mesmos papéis, rezando a mesma cartilha e preparando o terreno pra aquilo que é o sonho de 11 entre 11 dirigentes: empresariar e elitizar o futebol brasileiro, transformando-o num caro espetáculo cultural. O risco deste projeto a própria Veja enunciou, em ato falho e subliminar, ao usar na manchete de capa uma expressão emprestada de uma regra do futebol, evocando o dispositivo que encerrava a partida quando algum time marcava um gol durante a prorrogação (tempo-extra): “Gol de Ouro” também recebeu o nome de “Morte Súbita”, nome, aliás, bem mais sugestivo que aquele. Resta comprovar se a morte do futebol brasileiro será mesmo repentina ou lenta e dolorosa. A Copa no Brasil, em 2014, já anuncia os novos tempos de gentrificação do futebol. Quem vai querer pagar para ver?
Blog Passa Palavra : www.passapalavra.info/
Especial Futebol (III): Futebol de Várzea - caminhos de insubordinação
Fechando o Especial Futebol e Política, o Passa Palavra publicou os dois últimos textos sobre esta intrínseca relação.
O terceiro, “Futebol de Várzea – caminhos de insubordinação”, é assinado por Rafaaa e versa sobre a organização varzeana e seus princípios de solidariedade.
A prática do futebol de várzea continua como uma das principais modalidades de lazer associadas a um modo próprio de organização, pautado em princípios mais justos e igualitários. Por Rafaaa
O futebol é um esporte muito praticado no mundo, porém quando se fala sobre esse tema logo pensamos nos jogos entre times profissionais que circulam pelos diversos tipos de mídia. Esquecemos que existem outras formas de organização que disputam muito mais do que simples partidas de futebol, como por exemplo, o conhecido futebol de várzea ou futebol de bairro.
Com a crescente prática do futebol no Brasil, no final do século XIX e início do XX, uma grande quantidade de times passa a disputar suas partidas nas várzeas dos rios. Não é por acaso que os imigrantes se estabeleceram nas beiras dos rios, próximos aos seus locais de trabalho. A várzea sempre foi vista como sinônimo de atraso diante de uma política nacional desenvolvimentista apoiada por idéias excludentes sobre os moradores das várzeas antigas, o que não difere muito do tratamento que hoje se dá às favelas.
Ainda em 1901, uma ação conjunta do Clube Atlético Paulistano com a prefeitura municipal de São Paulo passou a transformar o antigo velódromo da cidade, localizado na rua da Consolação, em um campo de futebol. O Paulistano era um clube onde as elites freqüentavam, portanto o acesso a tal campo passou a ser restrito somente aos times convidados, ou seja, times ligados às elites, ocorrendo assim, a segregação entre times da elite e times populares.
O processo de urbanização da cidade de São Paulo, a partir das décadas de 1920/1930, estabeleceu uma nova configuração social devido, entre outras coisas, à retificação dos rios e ao remanejamento da população para áreas afastadas dos centros. A especulação imobiliária começa a atuar de maneira avassaladora e a população passa então a correr de maneira contrária a esse alto custo de vida que os trabalhadores não conseguem manter, portanto as periferias começam a ganhar espaço no cenário urbano. Juntamente com as pessoas, se deslocam objetos, relacionamentos, idéias, entre outras coisas que representam novas formas de organização, e não ficando de fora dessas mudanças, a prática do futebol de várzea aparece como um fenômeno que resistiu, e ainda resiste, às fortes tentativas de segregação e exclusão da elite.
A questão racial foi um grande problema no cenário futebolístico do início do século XX, quando os clubes de elite, com atitudes racistas, não aceitavam negros em seus times de futebol. Alguns jogadores negros chegaram a participar de times ligados às elites, pois eram inegáveis suas habilidades técnicas, porém o preconceito foi sempre imposto diante de uma crescente popularização do esporte. Alguns artifícios foram usados para “esconder” traços da identidade negra em campo, como por exemplo, o uso de gomalina (gel), que os jogadores passavam nos cabelos para alisá-los, além do conhecido pó-de-arroz. Além da exclusão dos negros, a prática desse esporte estava restrita aos associados dos clubes, ou seja, os ricos da sociedade. Em contraposição a essa atitude dos times de elite, os times populares continuaram surgindo e se proliferando, primeiro nas margens dos rios e depois nas grandes periferias urbanas onde o acesso à prática do futebol era feito de maneira mais democrática, assim como podemos ver nos exemplos do Liberdade Futebol Clube, time da Mooca que possuía dois goleadores negros, Simão e Mané, além do União Futebol Clube, fundado em 1901 na região da Barra Funda, time composto em sua maioria por negros.
Pois o futebol de várzea continua resistindo às práticas de uma política excludente e segue sendo praticado como uma forma de organização dos próprios moradores dessas periferias, muitas vezes sendo o único espaço de lazer e sociabilidade encontrados dentro do próprio bairro. Com a especulação imobiliária, os campos de futebol foram desaparecendo, porém a quantidade de times que surgem é impressionante. Excluída de outros meios de lazer, a população da periferia se organiza, luta e resiste para a construção de seus espaços de sociabilidade.
O modo de organização de um time de várzea permeia uma série de conflitos ocasionados pelo conjunto de necessidades resultante da divisão de classes do sistema capitalista, porém o que chama atenção na várzea é a intensa relação de amizade entre os membros do time, incluindo diretoria, comissão técnica, jogadores e torcedores, todos esses ligados por mais do que um simples objetivo como o gol. A estrutura hierárquica acentuada pela divisão desigual de poderes resultante de uma instituição burocrática não está efetivamente presente na maioria dos times de futebol de várzea, onde a tomada de decisão, comumente, é feita de maneira coletiva, perpassando assim, as funções estabelecidas. Porém, daí fica a questão: qual é então a função da diretoria? Qual o motivo de sua existência?
Os membros da diretoria ao invés de se tornarem um poder centralizador no seio dos times, prestam um serviço quase de uma chefia sem autoridade, onde as decisões coletivas geralmente prevalecem. Algumas características podem ser apontadas para os membros da direção, como por exemplo, a competência de serem uma instância moderadora do grupo, serem generosos com os demais membros do time, além de terem que possuir um bom relacionamento com as pessoas que participam do mundo varzeano, uma vez que o prestígio do time depende de sua ligação com as demais associações. A escassez de algumas dessas características pode acarretar graves crises dentro do grupo, podendo até extinguir o time. Isso demonstra que a pressão coletiva diante dos membros da diretoria, os faz como “porta-vozes” do restante do grupo e, como na várzea, geralmente não se estabelecem contratos financeiros, pois os jogadores não dependem do time para sua existência, não há vínculo empregatício que mantenha um jogador preso ao clube, muitas vezes migrando ou fundando um outro time.
Um time de futebol profissional é marcado por uma hierarquia rígida onde as relações entre jogadores e membros da diretoria são separados por inúmeras cifras de dinheiro e compromissos contratuais cuja separação do poder político se encontra visível na lapidação do jogador profissional moderno. Uma vasta rede de saber molda o atleta de modo que esse seja útil e dócil dentro e fora de campo. Não se podem contestar decisões, assim como deve ser eficiente no seu ofício de modo que garanta uma maior rentabilidade para o time e consequentemente mais investimento no mercado futebolístico. Para que isso ocorra, diversos profissionais procuram transformar o jogador em máquina, moldando-o não só psicologicamente por meio de psicólogos, mas também fortalecendo sua estrutura física por meio de fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas, entre outros. Assim como o operário no sistema capitalista deve obedecer aos requisitos e regras de uma fábrica, o jogador profissional deve seguir restritamente as regras de seu time, que por sua vez estão relacionadas às ações do mercado.
O futebol de várzea aponta como uma experiência com um maior exercício de isonomia de poder, onde apesar dos diversos problemas cotidianos enfrentados pelos moradores das periferias, a prática desse esporte continua como uma das principais modalidades de lazer associadas a um modo próprio de organização, pautado em princípios mais justos e igualitários. A autonomia dos indivíduos diante de situações adversas prevalece na várzea, proporcionando, assim, uma maior liberdade e igualdade no que diz respeito à representatividade coletiva. Só espero que, um dia, esses questionamentos das relações de poder ultrapassem os limites das quatro linhas e extrapolem para as outras atividades da vida das pessoas.
O terceiro, “Futebol de Várzea – caminhos de insubordinação”, é assinado por Rafaaa e versa sobre a organização varzeana e seus princípios de solidariedade.
A prática do futebol de várzea continua como uma das principais modalidades de lazer associadas a um modo próprio de organização, pautado em princípios mais justos e igualitários. Por Rafaaa
O futebol é um esporte muito praticado no mundo, porém quando se fala sobre esse tema logo pensamos nos jogos entre times profissionais que circulam pelos diversos tipos de mídia. Esquecemos que existem outras formas de organização que disputam muito mais do que simples partidas de futebol, como por exemplo, o conhecido futebol de várzea ou futebol de bairro.
Com a crescente prática do futebol no Brasil, no final do século XIX e início do XX, uma grande quantidade de times passa a disputar suas partidas nas várzeas dos rios. Não é por acaso que os imigrantes se estabeleceram nas beiras dos rios, próximos aos seus locais de trabalho. A várzea sempre foi vista como sinônimo de atraso diante de uma política nacional desenvolvimentista apoiada por idéias excludentes sobre os moradores das várzeas antigas, o que não difere muito do tratamento que hoje se dá às favelas.
Ainda em 1901, uma ação conjunta do Clube Atlético Paulistano com a prefeitura municipal de São Paulo passou a transformar o antigo velódromo da cidade, localizado na rua da Consolação, em um campo de futebol. O Paulistano era um clube onde as elites freqüentavam, portanto o acesso a tal campo passou a ser restrito somente aos times convidados, ou seja, times ligados às elites, ocorrendo assim, a segregação entre times da elite e times populares.
O processo de urbanização da cidade de São Paulo, a partir das décadas de 1920/1930, estabeleceu uma nova configuração social devido, entre outras coisas, à retificação dos rios e ao remanejamento da população para áreas afastadas dos centros. A especulação imobiliária começa a atuar de maneira avassaladora e a população passa então a correr de maneira contrária a esse alto custo de vida que os trabalhadores não conseguem manter, portanto as periferias começam a ganhar espaço no cenário urbano. Juntamente com as pessoas, se deslocam objetos, relacionamentos, idéias, entre outras coisas que representam novas formas de organização, e não ficando de fora dessas mudanças, a prática do futebol de várzea aparece como um fenômeno que resistiu, e ainda resiste, às fortes tentativas de segregação e exclusão da elite.
A questão racial foi um grande problema no cenário futebolístico do início do século XX, quando os clubes de elite, com atitudes racistas, não aceitavam negros em seus times de futebol. Alguns jogadores negros chegaram a participar de times ligados às elites, pois eram inegáveis suas habilidades técnicas, porém o preconceito foi sempre imposto diante de uma crescente popularização do esporte. Alguns artifícios foram usados para “esconder” traços da identidade negra em campo, como por exemplo, o uso de gomalina (gel), que os jogadores passavam nos cabelos para alisá-los, além do conhecido pó-de-arroz. Além da exclusão dos negros, a prática desse esporte estava restrita aos associados dos clubes, ou seja, os ricos da sociedade. Em contraposição a essa atitude dos times de elite, os times populares continuaram surgindo e se proliferando, primeiro nas margens dos rios e depois nas grandes periferias urbanas onde o acesso à prática do futebol era feito de maneira mais democrática, assim como podemos ver nos exemplos do Liberdade Futebol Clube, time da Mooca que possuía dois goleadores negros, Simão e Mané, além do União Futebol Clube, fundado em 1901 na região da Barra Funda, time composto em sua maioria por negros.
Pois o futebol de várzea continua resistindo às práticas de uma política excludente e segue sendo praticado como uma forma de organização dos próprios moradores dessas periferias, muitas vezes sendo o único espaço de lazer e sociabilidade encontrados dentro do próprio bairro. Com a especulação imobiliária, os campos de futebol foram desaparecendo, porém a quantidade de times que surgem é impressionante. Excluída de outros meios de lazer, a população da periferia se organiza, luta e resiste para a construção de seus espaços de sociabilidade.
O modo de organização de um time de várzea permeia uma série de conflitos ocasionados pelo conjunto de necessidades resultante da divisão de classes do sistema capitalista, porém o que chama atenção na várzea é a intensa relação de amizade entre os membros do time, incluindo diretoria, comissão técnica, jogadores e torcedores, todos esses ligados por mais do que um simples objetivo como o gol. A estrutura hierárquica acentuada pela divisão desigual de poderes resultante de uma instituição burocrática não está efetivamente presente na maioria dos times de futebol de várzea, onde a tomada de decisão, comumente, é feita de maneira coletiva, perpassando assim, as funções estabelecidas. Porém, daí fica a questão: qual é então a função da diretoria? Qual o motivo de sua existência?
Os membros da diretoria ao invés de se tornarem um poder centralizador no seio dos times, prestam um serviço quase de uma chefia sem autoridade, onde as decisões coletivas geralmente prevalecem. Algumas características podem ser apontadas para os membros da direção, como por exemplo, a competência de serem uma instância moderadora do grupo, serem generosos com os demais membros do time, além de terem que possuir um bom relacionamento com as pessoas que participam do mundo varzeano, uma vez que o prestígio do time depende de sua ligação com as demais associações. A escassez de algumas dessas características pode acarretar graves crises dentro do grupo, podendo até extinguir o time. Isso demonstra que a pressão coletiva diante dos membros da diretoria, os faz como “porta-vozes” do restante do grupo e, como na várzea, geralmente não se estabelecem contratos financeiros, pois os jogadores não dependem do time para sua existência, não há vínculo empregatício que mantenha um jogador preso ao clube, muitas vezes migrando ou fundando um outro time.
Um time de futebol profissional é marcado por uma hierarquia rígida onde as relações entre jogadores e membros da diretoria são separados por inúmeras cifras de dinheiro e compromissos contratuais cuja separação do poder político se encontra visível na lapidação do jogador profissional moderno. Uma vasta rede de saber molda o atleta de modo que esse seja útil e dócil dentro e fora de campo. Não se podem contestar decisões, assim como deve ser eficiente no seu ofício de modo que garanta uma maior rentabilidade para o time e consequentemente mais investimento no mercado futebolístico. Para que isso ocorra, diversos profissionais procuram transformar o jogador em máquina, moldando-o não só psicologicamente por meio de psicólogos, mas também fortalecendo sua estrutura física por meio de fisioterapeutas, preparadores físicos, nutricionistas, entre outros. Assim como o operário no sistema capitalista deve obedecer aos requisitos e regras de uma fábrica, o jogador profissional deve seguir restritamente as regras de seu time, que por sua vez estão relacionadas às ações do mercado.
O futebol de várzea aponta como uma experiência com um maior exercício de isonomia de poder, onde apesar dos diversos problemas cotidianos enfrentados pelos moradores das periferias, a prática desse esporte continua como uma das principais modalidades de lazer associadas a um modo próprio de organização, pautado em princípios mais justos e igualitários. A autonomia dos indivíduos diante de situações adversas prevalece na várzea, proporcionando, assim, uma maior liberdade e igualdade no que diz respeito à representatividade coletiva. Só espero que, um dia, esses questionamentos das relações de poder ultrapassem os limites das quatro linhas e extrapolem para as outras atividades da vida das pessoas.
Nota da Torcida TUF sobre o I Seminário Nacional das Torcidas Organizadas

Nota da Torcida TUF sobre o I Seminário Nacional das Torcidas Organizadas
1º Seminário Nacional de Torcidas Organizadas
Galera Tricolor, a TUF nos dias 4 e 5 de Julho participou do primeiro Seminário Nacional de Torcidas Organizadas. Várias reuniões com as principais lideranças de torcidas do Brasil, muita coisa foi debatida, vários questionamentos levantados, um momento histórico, que com certeza será um marco no mundo das Organizadas.
De início seria loucura pensar em juntar toda essa gente, muitos pensavam que não seríamos capazes de dialogar como homens, deixando de lado todo tipo de “ódio” e “rivalidade” existentes entre as entidades presentes, o que estava em jogo era um bem maior, a luta permanente pelo nosso jeito de torcer, a valorização da cultura das Torcidas Organizadas brasileiras.
Um dos principais pontos abordados no Seminário foi o projeto de lei que modifica o estatuto do torcedor, no seu artigo 39 onde ele responsabiliza objetivamente as Torcidas Organizadas e seus dirigentes por atos ilícitos cometidos em praças esportivas e no seu trajeto pelos seus associados. Estamos bastante atrasados nessa luta, pois o projeto de lei já foi aprovado na Câmara dos Deputados e está prestes a ser votado no Senado.
Encontramos um quadro realmente preocupante, onde os governantes em vez de pura e simplesmente extinguir com as Organizadas, estão dando bastante corda para nos enforcarmos com os nossos erros, precisamos ter comprometimento com todo esse processo que está por vir, onde a intenção dos homens da lei é varrer do mapa toda nossa historia e cultura de Torcedor Organizado.
Necessitamos de força e de representatividade. Todas as entidades isoladas nada poderão fazer, mas precisamos nos unir nesse momento deixando tudo de lado por uma sobrevida ainda que curta. A intenção é que as Torcidas Organizadas formem Federações Estaduais para que assim possamos criar a Confederação Brasileira das Torcidas Organizadas, entidade essa que terá sim representatividade e força perante nossos Políticos do nosso país.
Não existe mais espaço para tanta violência urbana, sabemos que isso não é exclusividade do futebol, vivemos em um país cheio de injustiças sociais, é necessária uma verdadeira revolução para a mudança deste quadro brasileiro, mas isso não serve de desculpas, nós componentes de Torcida Organizada não podemos fugir de nossa responsabilidade, se o Governo do Brasil não faz a parte dele nós temos que arregaçar as mangas e fazer acontecer, quebrar todos os estigmas, provar para todo um país que um dia pensou que seria impossível nos colocar na mesma mesa, que somos homens e não bichos que precisam ser isolados de todo o resto. Temos uma identidade, toda nossa ideologia, iremos lutar com todas as forças por nossos direitos de Torcedor Organizado.
É preciso o comprometimento de todos nesse processo, pois o fim já bateu na porta das Organizadas, apenas não ouvimos o chamado de toda uma nação.
VAMOS A LUTA, POIS ELA VALE APENA.
Ricardo Fontenelle (MEXICANO)
G.R.E.S. LEÕES DA TUF
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Acho importante os esforços das lideranças, diretorias e associados no apoio ao díalogo amplo para articulações em pról as Torcidas Organizadas de todo Brail.
Esta nota refere-se ao I Seminário Nacional das Torcidas realizado pelo Ministério dos Esportes nos dias 04 e 05 de julho em São Paulo.
Pulguinha
Gaviões da Fiel Torcida
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro lançam Federação das Torcidas

As maiores Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro se organizaram e fundaram a Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro.
A Federação tem o objetivo de representar as Torcidas Organizadas filiadas emFl representações jurídicas, articulações com torcidas dos demais estados, dentre outras atividades.
Atualmente as torcidas participantes são Torcida Jovem do Flamengo, Fúria Jovem do Botafogo, Yong Flu, Ira Jovem, Flamanguaça, tendo demais torcidas em processo de aderência.
Umas das grandes propostas da Federação Carioca é debater uma comissão de Torcidas de todo Brasil e debater os assuntos de relevância e fazer representação quando necessário. Estimular os demais estados a organizar Federações para debater seus assuntos dentro do seus estados e participar dos debates regionais e nacional.
As Torcidas do Estado de São Paulo ensairam algumas conversas sobre uma possível volta do M. T. O - Movimento das Torcidas Organizadas de SP mas sem maiores avanços.
Aplausos para a iniciativa dos companheiros do Rio de Janeiro.
Torcedores de SP pedem volta de bandeiras
Da reportagem Local
Foolha de SP
As torcidas de São Paulo se movimentam nos bastidores para voltar a ter um direito que é garantido aos seus pares em todo o país: levar bandeiras com hastes ao estádio.
No fim de 1996, o governador Mario Covas sancionou lei que instituía essa proibição. A medida foi adotada um ano depois da confusão generalizada no jogo entre as equipes juniores de São Paulo e Palmeiras, que resultou na morte de um torcedor.
Neste ano, o deputado estadual Bruno Covas (PSDB- -SP), neto do falecido governador, reabriu o debate, promoveu uma audiência pública e abriu a possibilidade de ser criada uma nova lei que revogue a anterior.
O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., mostrou-se favorável ao retorno das bandeiras com mastros, conhecidos entre torcedores como "bambus", aos estádios.
Numa conversa com Marco Polo [Del Nero, presidente da federação paulista], eu perguntava por que não poderia voltar a ter "bambu" nos estádios. O Andres [Sanchez, presidente do Corinthians] deu uma solução. Disse que o melhor modo seria anotar o nome do responsável pela bandeira. É essa a lógica. Responsabilizar o torcedor", comentou Silva Jr.
O juiz de paz Danilo Zamboni, que intermedeia discussões entre torcedores e autoridades, falou que a federação e a PM são contrárias à volta das hastes. (MB)
Fonte : Folha de São Paulo
****---------****----------****-----------****-----------****----------*****------
Referente a matéria acima da folha on line explanarei mais alguns pontos.
A reivindicações pelos bambus são antigas. Alguns anos as lideranças expressam isso as autoridades paulistas. Questão é que trata-se de uma Lei estadual, no qual para alterar-se respectivo páragrafo depende dos Deputados Estaduais.
Já deveríamos ter-nos articulado junto aos Deputados Estaduais para as alterações necessárias mas nossos processos de articulações são morosas. Recentemente a TUP foi atrás e também fomos conversar com alguns deputados.
Mês passado houve uma Audiência na Assembléia Legislativa organizada pelo mandato do Deputado Bruno Covas tendo em pauta esta lei que os proibe.
Não comprendi bem o envolvimento de Bruno Covas com esta pauta, mas a Audiência acabou virando um grande debate sobre vários assuntos. Foram convidados para compor a mesa o Promotor Paulo Castilho, Comandante do 2. Batalhão de Choque, Marco Aurélio Klein como representante da FPF, Danilo Juiz de Paz, os presidentes das Torcidas Gaviões, Independente e Mancha Alvi Verde.
O Promotor Paulo Castilho se diz a favor da alteração do paragrafo que menciona a proibição dos mastros para as bandeiras, declarando isso as Torcidas Organizadas já algum tempo. Nesta audiência ressaltou seu favorecimento e se disponibilizou para propor a alteração do paragráfo. Em concordância com os dirigentes das Torcidas Organizadas a entrada dos bambus seria nos mesmos procedimentos atual com os intrumentos, tendo um representante responsável com notificação antecipada nas reuniões preparatórias para os jogos.
Marco Aurélio Klein representando a Federação Paulista de Futebol deixou claro o posicionamento contra o retorno dos mastros.
O Comandante do 2. Batalhão de Choque, como a FPF, é contra o retorno dos mastros, com a alegação que as hastes podem ser usadas em confrontos com os policiais.
Danilo na mesma linha do Promotor e tendo entendimento com as Torcidas mencionou seu favorecimento pela alteração da lei.
Após estes pronunciamentos os presidentes convidados a mesa ressaltaram o pedido da mudança dos paragrafos na lei e o comprometimento no procedimento para a entrada dos mastros.
Esteve presente no evento a assessoria do Deputado Aldo Rebelo que também ressaltou o apoio a mudança da lei que vigorá tal proibição.
Tendo oportunidade para inscrições para perguntas e colocações diversas o evento virou um verdadeiro balaio do gato e o Deputado, acredito que não tendo muitos subsídios dos temas e pautas debatidas acabou ficando meio perdido em muitos momentos.
Enfim, numa avaliação pessoal, acredito que não avançamos muito. Promotor ressaltou novamente seu favorecimento a volta dos mastros, PM e FPF contra, mas valendo para fortalecer o debate na casa legislativa.
Hoje temos o Ministro a favor.
As Torcidas Organizadas tenham que se organizar para solicitar junto aos Deputados Estaduais esta alteração. A Lei quando foi aprovada, 96, após oo marcante fato do Pacaembú teve aprovação ampla do legislativo. Hoje, para conseguirmos o apoio da maioria dos Deputados, temos que minimamente oferecer um sibsídio de informações expressando os procedimentos de entrada dos materiais das Organizadas, procedimentos de prevenção a violência, mostrar de diversas formas, com fotos e exposições de vídeos, a grande diferença nos estádios brasileiros, entre os estádios com bandeiras e nossos estádios paulistas proibidos.
Acredito que oferecendo um subsídio aos diversos Deputados conseguimos conquistar a alteração da lei. Procurar as lideranças dos partidos politícos e fazer um trabalho em cada gabinete se necessario. Acredito que seja muito possível esta conquista.
Foolha de SP
As torcidas de São Paulo se movimentam nos bastidores para voltar a ter um direito que é garantido aos seus pares em todo o país: levar bandeiras com hastes ao estádio.
No fim de 1996, o governador Mario Covas sancionou lei que instituía essa proibição. A medida foi adotada um ano depois da confusão generalizada no jogo entre as equipes juniores de São Paulo e Palmeiras, que resultou na morte de um torcedor.
Neste ano, o deputado estadual Bruno Covas (PSDB- -SP), neto do falecido governador, reabriu o debate, promoveu uma audiência pública e abriu a possibilidade de ser criada uma nova lei que revogue a anterior.
O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., mostrou-se favorável ao retorno das bandeiras com mastros, conhecidos entre torcedores como "bambus", aos estádios.
Numa conversa com Marco Polo [Del Nero, presidente da federação paulista], eu perguntava por que não poderia voltar a ter "bambu" nos estádios. O Andres [Sanchez, presidente do Corinthians] deu uma solução. Disse que o melhor modo seria anotar o nome do responsável pela bandeira. É essa a lógica. Responsabilizar o torcedor", comentou Silva Jr.
O juiz de paz Danilo Zamboni, que intermedeia discussões entre torcedores e autoridades, falou que a federação e a PM são contrárias à volta das hastes. (MB)
Fonte : Folha de São Paulo
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Referente a matéria acima da folha on line explanarei mais alguns pontos.
A reivindicações pelos bambus são antigas. Alguns anos as lideranças expressam isso as autoridades paulistas. Questão é que trata-se de uma Lei estadual, no qual para alterar-se respectivo páragrafo depende dos Deputados Estaduais.
Já deveríamos ter-nos articulado junto aos Deputados Estaduais para as alterações necessárias mas nossos processos de articulações são morosas. Recentemente a TUP foi atrás e também fomos conversar com alguns deputados.
Mês passado houve uma Audiência na Assembléia Legislativa organizada pelo mandato do Deputado Bruno Covas tendo em pauta esta lei que os proibe.
Não comprendi bem o envolvimento de Bruno Covas com esta pauta, mas a Audiência acabou virando um grande debate sobre vários assuntos. Foram convidados para compor a mesa o Promotor Paulo Castilho, Comandante do 2. Batalhão de Choque, Marco Aurélio Klein como representante da FPF, Danilo Juiz de Paz, os presidentes das Torcidas Gaviões, Independente e Mancha Alvi Verde.
O Promotor Paulo Castilho se diz a favor da alteração do paragrafo que menciona a proibição dos mastros para as bandeiras, declarando isso as Torcidas Organizadas já algum tempo. Nesta audiência ressaltou seu favorecimento e se disponibilizou para propor a alteração do paragráfo. Em concordância com os dirigentes das Torcidas Organizadas a entrada dos bambus seria nos mesmos procedimentos atual com os intrumentos, tendo um representante responsável com notificação antecipada nas reuniões preparatórias para os jogos.
Marco Aurélio Klein representando a Federação Paulista de Futebol deixou claro o posicionamento contra o retorno dos mastros.
O Comandante do 2. Batalhão de Choque, como a FPF, é contra o retorno dos mastros, com a alegação que as hastes podem ser usadas em confrontos com os policiais.
Danilo na mesma linha do Promotor e tendo entendimento com as Torcidas mencionou seu favorecimento pela alteração da lei.
Após estes pronunciamentos os presidentes convidados a mesa ressaltaram o pedido da mudança dos paragrafos na lei e o comprometimento no procedimento para a entrada dos mastros.
Esteve presente no evento a assessoria do Deputado Aldo Rebelo que também ressaltou o apoio a mudança da lei que vigorá tal proibição.
Tendo oportunidade para inscrições para perguntas e colocações diversas o evento virou um verdadeiro balaio do gato e o Deputado, acredito que não tendo muitos subsídios dos temas e pautas debatidas acabou ficando meio perdido em muitos momentos.
Enfim, numa avaliação pessoal, acredito que não avançamos muito. Promotor ressaltou novamente seu favorecimento a volta dos mastros, PM e FPF contra, mas valendo para fortalecer o debate na casa legislativa.
Hoje temos o Ministro a favor.
As Torcidas Organizadas tenham que se organizar para solicitar junto aos Deputados Estaduais esta alteração. A Lei quando foi aprovada, 96, após oo marcante fato do Pacaembú teve aprovação ampla do legislativo. Hoje, para conseguirmos o apoio da maioria dos Deputados, temos que minimamente oferecer um sibsídio de informações expressando os procedimentos de entrada dos materiais das Organizadas, procedimentos de prevenção a violência, mostrar de diversas formas, com fotos e exposições de vídeos, a grande diferença nos estádios brasileiros, entre os estádios com bandeiras e nossos estádios paulistas proibidos.
Acredito que oferecendo um subsídio aos diversos Deputados conseguimos conquistar a alteração da lei. Procurar as lideranças dos partidos politícos e fazer um trabalho em cada gabinete se necessario. Acredito que seja muito possível esta conquista.
Bandeiras com mastros liberadas nos estádios
Publicada em 6/7/2009 às 18:07
LANCEPRESS!
Uma das principais reivindicações no Seminário que o governo federal realizou no fim de semana com líderes de torcida organizadas em São Paulo foi a permissão da entrada de bandeiras com mastros nos estádios de São Paulo. A proibição desse tipo de bandeira vai completar 14 anos no mês que vem e foi adotada após a briga entre torcedores de São Paulo e Palmeiras numa partida de juniores.
------------- **** -------------- ****----------------****------------------****
Referente esta publicação no Jornal Lance, notifico e ressalto que os bambus não foram liberados conforme muitos estão reproduzindo. COnforme podemos verificar na matéria o Lance apenas publicou que esta foi uma das principais reivindicações no evento.
Sendo assim, não quer dizer nada, não mudou nada. Outra, Ministro e Promotoria não podem alterar a lei que proibe os mastros dos estádios. Esta luta é na assembléia legislativa.
Pulguinha
Gaviões da Fiel
LANCEPRESS!
Uma das principais reivindicações no Seminário que o governo federal realizou no fim de semana com líderes de torcida organizadas em São Paulo foi a permissão da entrada de bandeiras com mastros nos estádios de São Paulo. A proibição desse tipo de bandeira vai completar 14 anos no mês que vem e foi adotada após a briga entre torcedores de São Paulo e Palmeiras numa partida de juniores.
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Referente esta publicação no Jornal Lance, notifico e ressalto que os bambus não foram liberados conforme muitos estão reproduzindo. COnforme podemos verificar na matéria o Lance apenas publicou que esta foi uma das principais reivindicações no evento.
Sendo assim, não quer dizer nada, não mudou nada. Outra, Ministro e Promotoria não podem alterar a lei que proibe os mastros dos estádios. Esta luta é na assembléia legislativa.
Pulguinha
Gaviões da Fiel
domingo, 5 de julho de 2009
Encontro Nacional das Torcidas Organizadas em SP
Este fim de semana, 04 e 05 de julho foi realizado em São Paulo um encontro com as maiores Torcidas Organizadas do estado brasileiro.
Encontro realizado e financiado pelo Ministério dos Esportes. Foi convidado 02 representantes das grandes torcidas do estado de São Paulo e dois de cada demais estados, sendo apenas um bancado pelo Ministério.
A proposta do Ministério conforme a divulgação do evento no site do governo federal seria para debater segurança e qualidade dos serviços nos estádios brasileiros.
Barrado no Baile
Sou liderança dos Gaviões, atuante nas arquibancadas, mas por pertencer ao coletivo da Rua São Jorge fui impedido de diversas formas de participar.
Fui procurado semana passada pelo Marcelo, Presidente da TUP. O chamado do Marcelo foi com intuito de juntos trabalharmos questões envolventes com o processo de prevenção na violência no futebol, projetos em pról das organizadas e a possível volta do MTO para atuar pelas torcidas em algumas pautas de relêvancia para as Organizadas de SP.
Nesta mesma conversa nasceu a idéia de aproveitarmos as presenças das demais organizadas em São Paulo e realizarmos um encontro nosso, sem autoridades, algo alternativo com pautas de maior relevância a nós Torcidas, assim propomos a articular o I Congresso das Torcidas Organizadas que seria na sede da TUP.
Fiquei entusiasmado com a idéia, qualquer progressividade no assunto estou dentro. Mas ciente de algumas preocupações tomei algumas iniciativas.Primeira pessoa que tinha que notificar quanto a proposta feita tinha que ser nosso presidente Pancthinho e depois as diversas lideranças da coletividade da Rua São Jorge. Falei com o Marcelo na sexta feira, pensei muito no fim de semana e segunda já estava nos Gaviões com o presidente. Expliquei toda proposta. A preocupação maior seria minha presença ser relacionada ao Movimento da Rua São Jorge. A idéia foi muito clara, meu envolvimento se daria como representante das Torcidas, sendo os representantes dos Gaviões eles mesmo da diretoria. Segundo o presidente não enxergava problemas.
Depois explanei com a coletividade da Rua São Jorge tendo o entendimento de todos.
Minha idéia mesmo estava na realização da atividade alternativa na TUP. Mas o Marcelo mesmo acreditava que eu deveria ir no evento do Ministério dos Esportes como representante do MTO. Ali sabia que daria poblemas, mas com o apoio do Marcelo e com o alvará que estava acreditando ter de nossa sede, conseguiria passar as barreiras.
Começamos a articular algumas coisas. COnversas com demais torcidas, preparo de documentos, envolvimento de uma equipe capacitade para mediar o evento, enfim, as estruturas necessárias para a realização deste Congresso na TUP.
Para mim, estava tudo certo com as demais torcidas sobre meu envolvimento até porque o próprio Marcelo estava cuidando disso. Marcelo enxergou os desafios. Restrição a minha pessoa devido pertencer a Rua São Jorge. Para mim estava certo, até junto as Torcidas com as maiores restrições, Independente e Jovem do Santos. Mas não, não foi assim. Primeiro porque não ficou claro as estas torcidas paulistas quanto a volta e o porque da volta do MTO. Consegui ainda ressaltar a Mancha através de outros contatos diretos. Mas quanto as possíveis rejeições a minha pessoa o Marcelo trataria.
Mas o preconceito maior foi quando enviei o e-mail para a funcionária do Ministério dos Esportes. Ciente e instruída em barrar membros de nossa coletividade, respondeu-me secamente vetando a inscrição. Enviei novamente e que minha ida ao evento se daria pelo possível retorno do MTO e que tínhamos propostas a serem entregues ao Ministro para debates posteriores e que estes projetos estavam avalizados por algumas torcidas. Mencionei todas as Torcidas no e-mail, todas as que vinha falando dividindo o pacote de ideías. Neste e-mail ao Ministério pedi que quaisquer duvidas me ligasse mas para minha surpresa ela ligou para diversas torcidas expressando minha proibição devido os prazos burocráticos. Fiquei em situação deselegante até.
Nisso Marcelo da TUP recebe a ligação também. Diferente dos demais, brigou pela minha ida, olhou pelo propósito das Organizadas, pois me conhece e sabe de minhas intenções, não olhou com rusgas de vaidade. Marcelo brigou pela minha ida e logo depois recebe ligação de uma das autoridades do evento. A situação é clara, Rua São Jorge não é bem vindo. Marcelo tenta explicar, Pulguinha não esta respondendo pelo Movimento Rua São Jorge, sim pelas propostas que iriamos apresentar. Mas não, sem efeito e nossas questões serão debatidas em bastidores com as autoridades.
As Torcidas mencionadas também não concordaram e assim as idéias que estavámos propondo não encaminhou-se. Quer dizer, algumas tentaram encaminhar.
A proposta que estávamos articulando seria de acompanhar normalmente o evento do ministério e conforme nossa preparação, realizar o I Congresso das Torcidas na sede da TUP. Já tínhamos fechado entre Gaviões, Mancha, TUP, Jovem da Ponte, Cearamor, Jovem Fla, Raça, Fúria e cada qual mencionando as torcidas de suas demais relações de dialogo.
Mas para minha surpresa foi puxado um bate papo alternativo na sede dos Gaviões. Mas sem maiores avanços pelo que entendi.
Minha proposta como evento alternativo era uma coisa preparada coletivamente, várias torcidas envolvidas e teríamos aproveitado o momento.
Tínhamos uma pauta elaborada que seria :
a) Apresentarmos um manifesto a Lei no senado Federal que queremos alteração de dois paragrafos que diz quanto a generalização e de responsabilidade civil das Torcidas nos atos individuais de seus associados, seja nos trajetos ou imediações dos estádios.
A proposta seria apresentar o manifesto, convidar a todas entidades a participar, que cada torcida organizada de cada estado encaminhasse aos senadores de seus respectivos estados e tiraríamos uma comissão para uma audiência com o presidente do senado.
b) Apresentarmos um manifesto referente aos valores dos ingressos e qualidade dos serviços nso estádios brasileiros
Encaminharíamos este manifesto aos Procon de todos os estados, demais órgãos do consumidores, as Federações dos estados brasileiros, e órgãos de inspeções dos estádios brasileiros.
c) Apresentarmos um Manifesto contra a truculência policial nos estádios brasileiros e pedido de criação de uma policia especializada nos estádios de futebol.
Um manifesto contra truculência policial nos estádios brasileiros, hoje em evidência devido alguns fatos lamentaveis, como a morte do torcedor em Goiania com um tiro na cabeça, como a torceora do São Paulo sendo pisada no pescoço no clássico no morumbi, como no mesmo clássico, a barbaridade feita pela policia militar, dentro e fora dos estádios depois do jogo. Recentemente vimos um torcedor do cruzeiro apanhar de costas e parado no parque antartica. Acreditamos na possibilidade da criação de uma policia especializada para os estádios brasileiros, com outros valores e respeitabilidade junto aos torcedores.
d) Apresentação da Federação das Torcidas do Rio de Janeiro
e)Apresentação do Plano de Prevenção e Segurança para o Futebol Brasileiro
Tínhamos a intenção de entregar esta proposta ao Ministro para posterior avaliação.
A proposta parte do acompanhamento das Torcidas Organizadas para suas viagens em jogos em outros estados.
Hoje, quando uma Torcida se organiza para acompanhar seu time em outros estados passa-se por alguns desafios. Saber se terá um esquema de segurança no estádio para a torcida visitante, dúvida de trajeto para respectiva chegada, venda de ingressos, trato policial e o cumprimento dos direitos básicos de local para alimentação e banheiro com condições de uso.
Além dos desafios mencionados, tem as questões da adversidade ou não com a torcida do time adversário. Hoje este aspecto, ainda não bem compreendida pelas autoriaddes ainda pode ser pontos de risco em jogos do campeonato brasileiro e Copa do Brasil.
Estes problemas inter-regionais estão crescendo e em muitos estados sem a ciência das autoridades locais, sem a leitura da adversidade e os potenciais de risco entre torcidas de estados diferentes.
Nossa proposta seria em evitar estes riscos e sanar os desafios mencionados.
Hoje as Torcidas quando viajam o unico procedimento de segurança que podem acionar é entrar em contato com o policiamento responsável pelo jogo. Imaginem as dificuldades existentes.
Nossa proposta é que o Ministério dos Esportes institua uma secretária para centralizar informações, mapear e classificar os potenciais de risco a nível nacional de cada torcida organizada, acompanhar e contribuir entre os contatos entre torcida e polícia militar nos diferentes estados, que seja um ponto de referência e extensão dos planejamentos de segurança para jogos e campeonatos de nível nacional.
Esta secretária seria composta por dois membros indicados pelo Ministério dos Esportes, uma vaga do Ministério da Justiça, duas vagas indicados pelas Torcidas Organizadas, representante dos Direitos Humanos, pesquisadores e especialistas na prevenção a violência no futebol.
E como última proposta, um Plano de Prevenção a violência para o Estado de São Paulo.
Tínhamos propostas e poderíamos sim ter contribuido com o momento. Pior é o preconceito. Como construir o caminho da paz tendo erros grosseiros de descriminação ?
Se estamos tendo restrições junto as demais torcidas, até dentro da nossa própria torcida, procurarei encaminhar nossas propostas por outras vias, expressar através de debates diversos e em nossos veículos de comunicação. Temos propostas e serão ouvidas e chegarão onde devem chegar. Nâo me importa em que nome estará sendo assinada, o que me importa são ve-las sendo trabalhadas pelo bem estar do povo aglotinado no Movimento de Torcida Organizada de todo Brasil.
Pulguinha
liderança, ex-Vice Presidente,
ex - membro do extinto Conselho Deliberativo
Gaviões da Fiel Torcida
Encontro realizado e financiado pelo Ministério dos Esportes. Foi convidado 02 representantes das grandes torcidas do estado de São Paulo e dois de cada demais estados, sendo apenas um bancado pelo Ministério.
A proposta do Ministério conforme a divulgação do evento no site do governo federal seria para debater segurança e qualidade dos serviços nos estádios brasileiros.
Barrado no Baile
Sou liderança dos Gaviões, atuante nas arquibancadas, mas por pertencer ao coletivo da Rua São Jorge fui impedido de diversas formas de participar.
Fui procurado semana passada pelo Marcelo, Presidente da TUP. O chamado do Marcelo foi com intuito de juntos trabalharmos questões envolventes com o processo de prevenção na violência no futebol, projetos em pról das organizadas e a possível volta do MTO para atuar pelas torcidas em algumas pautas de relêvancia para as Organizadas de SP.
Nesta mesma conversa nasceu a idéia de aproveitarmos as presenças das demais organizadas em São Paulo e realizarmos um encontro nosso, sem autoridades, algo alternativo com pautas de maior relevância a nós Torcidas, assim propomos a articular o I Congresso das Torcidas Organizadas que seria na sede da TUP.
Fiquei entusiasmado com a idéia, qualquer progressividade no assunto estou dentro. Mas ciente de algumas preocupações tomei algumas iniciativas.Primeira pessoa que tinha que notificar quanto a proposta feita tinha que ser nosso presidente Pancthinho e depois as diversas lideranças da coletividade da Rua São Jorge. Falei com o Marcelo na sexta feira, pensei muito no fim de semana e segunda já estava nos Gaviões com o presidente. Expliquei toda proposta. A preocupação maior seria minha presença ser relacionada ao Movimento da Rua São Jorge. A idéia foi muito clara, meu envolvimento se daria como representante das Torcidas, sendo os representantes dos Gaviões eles mesmo da diretoria. Segundo o presidente não enxergava problemas.
Depois explanei com a coletividade da Rua São Jorge tendo o entendimento de todos.
Minha idéia mesmo estava na realização da atividade alternativa na TUP. Mas o Marcelo mesmo acreditava que eu deveria ir no evento do Ministério dos Esportes como representante do MTO. Ali sabia que daria poblemas, mas com o apoio do Marcelo e com o alvará que estava acreditando ter de nossa sede, conseguiria passar as barreiras.
Começamos a articular algumas coisas. COnversas com demais torcidas, preparo de documentos, envolvimento de uma equipe capacitade para mediar o evento, enfim, as estruturas necessárias para a realização deste Congresso na TUP.
Para mim, estava tudo certo com as demais torcidas sobre meu envolvimento até porque o próprio Marcelo estava cuidando disso. Marcelo enxergou os desafios. Restrição a minha pessoa devido pertencer a Rua São Jorge. Para mim estava certo, até junto as Torcidas com as maiores restrições, Independente e Jovem do Santos. Mas não, não foi assim. Primeiro porque não ficou claro as estas torcidas paulistas quanto a volta e o porque da volta do MTO. Consegui ainda ressaltar a Mancha através de outros contatos diretos. Mas quanto as possíveis rejeições a minha pessoa o Marcelo trataria.
Mas o preconceito maior foi quando enviei o e-mail para a funcionária do Ministério dos Esportes. Ciente e instruída em barrar membros de nossa coletividade, respondeu-me secamente vetando a inscrição. Enviei novamente e que minha ida ao evento se daria pelo possível retorno do MTO e que tínhamos propostas a serem entregues ao Ministro para debates posteriores e que estes projetos estavam avalizados por algumas torcidas. Mencionei todas as Torcidas no e-mail, todas as que vinha falando dividindo o pacote de ideías. Neste e-mail ao Ministério pedi que quaisquer duvidas me ligasse mas para minha surpresa ela ligou para diversas torcidas expressando minha proibição devido os prazos burocráticos. Fiquei em situação deselegante até.
Nisso Marcelo da TUP recebe a ligação também. Diferente dos demais, brigou pela minha ida, olhou pelo propósito das Organizadas, pois me conhece e sabe de minhas intenções, não olhou com rusgas de vaidade. Marcelo brigou pela minha ida e logo depois recebe ligação de uma das autoridades do evento. A situação é clara, Rua São Jorge não é bem vindo. Marcelo tenta explicar, Pulguinha não esta respondendo pelo Movimento Rua São Jorge, sim pelas propostas que iriamos apresentar. Mas não, sem efeito e nossas questões serão debatidas em bastidores com as autoridades.
As Torcidas mencionadas também não concordaram e assim as idéias que estavámos propondo não encaminhou-se. Quer dizer, algumas tentaram encaminhar.
A proposta que estávamos articulando seria de acompanhar normalmente o evento do ministério e conforme nossa preparação, realizar o I Congresso das Torcidas na sede da TUP. Já tínhamos fechado entre Gaviões, Mancha, TUP, Jovem da Ponte, Cearamor, Jovem Fla, Raça, Fúria e cada qual mencionando as torcidas de suas demais relações de dialogo.
Mas para minha surpresa foi puxado um bate papo alternativo na sede dos Gaviões. Mas sem maiores avanços pelo que entendi.
Minha proposta como evento alternativo era uma coisa preparada coletivamente, várias torcidas envolvidas e teríamos aproveitado o momento.
Tínhamos uma pauta elaborada que seria :
a) Apresentarmos um manifesto a Lei no senado Federal que queremos alteração de dois paragrafos que diz quanto a generalização e de responsabilidade civil das Torcidas nos atos individuais de seus associados, seja nos trajetos ou imediações dos estádios.
A proposta seria apresentar o manifesto, convidar a todas entidades a participar, que cada torcida organizada de cada estado encaminhasse aos senadores de seus respectivos estados e tiraríamos uma comissão para uma audiência com o presidente do senado.
b) Apresentarmos um manifesto referente aos valores dos ingressos e qualidade dos serviços nso estádios brasileiros
Encaminharíamos este manifesto aos Procon de todos os estados, demais órgãos do consumidores, as Federações dos estados brasileiros, e órgãos de inspeções dos estádios brasileiros.
c) Apresentarmos um Manifesto contra a truculência policial nos estádios brasileiros e pedido de criação de uma policia especializada nos estádios de futebol.
Um manifesto contra truculência policial nos estádios brasileiros, hoje em evidência devido alguns fatos lamentaveis, como a morte do torcedor em Goiania com um tiro na cabeça, como a torceora do São Paulo sendo pisada no pescoço no clássico no morumbi, como no mesmo clássico, a barbaridade feita pela policia militar, dentro e fora dos estádios depois do jogo. Recentemente vimos um torcedor do cruzeiro apanhar de costas e parado no parque antartica. Acreditamos na possibilidade da criação de uma policia especializada para os estádios brasileiros, com outros valores e respeitabilidade junto aos torcedores.
d) Apresentação da Federação das Torcidas do Rio de Janeiro
e)Apresentação do Plano de Prevenção e Segurança para o Futebol Brasileiro
Tínhamos a intenção de entregar esta proposta ao Ministro para posterior avaliação.
A proposta parte do acompanhamento das Torcidas Organizadas para suas viagens em jogos em outros estados.
Hoje, quando uma Torcida se organiza para acompanhar seu time em outros estados passa-se por alguns desafios. Saber se terá um esquema de segurança no estádio para a torcida visitante, dúvida de trajeto para respectiva chegada, venda de ingressos, trato policial e o cumprimento dos direitos básicos de local para alimentação e banheiro com condições de uso.
Além dos desafios mencionados, tem as questões da adversidade ou não com a torcida do time adversário. Hoje este aspecto, ainda não bem compreendida pelas autoriaddes ainda pode ser pontos de risco em jogos do campeonato brasileiro e Copa do Brasil.
Estes problemas inter-regionais estão crescendo e em muitos estados sem a ciência das autoridades locais, sem a leitura da adversidade e os potenciais de risco entre torcidas de estados diferentes.
Nossa proposta seria em evitar estes riscos e sanar os desafios mencionados.
Hoje as Torcidas quando viajam o unico procedimento de segurança que podem acionar é entrar em contato com o policiamento responsável pelo jogo. Imaginem as dificuldades existentes.
Nossa proposta é que o Ministério dos Esportes institua uma secretária para centralizar informações, mapear e classificar os potenciais de risco a nível nacional de cada torcida organizada, acompanhar e contribuir entre os contatos entre torcida e polícia militar nos diferentes estados, que seja um ponto de referência e extensão dos planejamentos de segurança para jogos e campeonatos de nível nacional.
Esta secretária seria composta por dois membros indicados pelo Ministério dos Esportes, uma vaga do Ministério da Justiça, duas vagas indicados pelas Torcidas Organizadas, representante dos Direitos Humanos, pesquisadores e especialistas na prevenção a violência no futebol.
E como última proposta, um Plano de Prevenção a violência para o Estado de São Paulo.
Tínhamos propostas e poderíamos sim ter contribuido com o momento. Pior é o preconceito. Como construir o caminho da paz tendo erros grosseiros de descriminação ?
Se estamos tendo restrições junto as demais torcidas, até dentro da nossa própria torcida, procurarei encaminhar nossas propostas por outras vias, expressar através de debates diversos e em nossos veículos de comunicação. Temos propostas e serão ouvidas e chegarão onde devem chegar. Nâo me importa em que nome estará sendo assinada, o que me importa são ve-las sendo trabalhadas pelo bem estar do povo aglotinado no Movimento de Torcida Organizada de todo Brasil.
Pulguinha
liderança, ex-Vice Presidente,
ex - membro do extinto Conselho Deliberativo
Gaviões da Fiel Torcida
Caravana para o Rio Grande do Sul - Final da Copa do Brasil 2009
Plano preventivo do Sul merece elogios
Presenciamos em grandes jogos no estado brasileiro muitos pontos equivocados no processo de organização, qualidade nos serviços, plano preventivo de segurança, trato policial, compra dos ingressos e acesso ao estádio. Muitos erros gritantes até.
Mas venho testemunhar o processo organizativo desenvolvido no Rio Grande do Sul. O Plano desenvolvido pelos dirigentes e policiamento do sul foi ótimo. Sou muito atento neste sentido e não presenciei falhas grosseiras. Alguns exageros com torcedores tentando entrar sem ingresso, mas sem maiores problemas para resolverem.
Saimos de São Paulo sem problemas. Com uma bela compra em nosso bus, fomos em verdadeira confraternização, regado com cerveja e samba, verdadeiro alto astral.
Fizemos uma bela viagem e chegando ao Sul começamos a ser parados pelo policiamento. Nunca esperamos tratamento cordial, respeitoso. Mas la isso aconteceu.
O policiamento iniciou nosso acompanhamento e determinado ponto tinha uma área planejada para a torcida do corinthians desembarcar. A revista é normal nos procedimentos e geralmente feito de maneira hostil. Não nos aconteceu. Descemos e fomos revistados normalmente, sem hostilidade e livre para se alimentar e ir aos banheiros quimicos disponiveis. Sim, revista sem hostilidade, área de alimentação e com banheiros químicos. Raro este preparo para torcida visitante em qualquer estado.
Após esta etapa, entrar no estádio. Pequena fila. Um cordão de policiamento e uma fileira de cavalos para organizar tal entrada. Alguns policiais sempre pegando algum torcedor tentando adentrar sem ingresso. Isso os tirava do sério. Foi notado pelo responsável do policiamento que os cavalos ali atrapalhavam a organização, trazendo transtornos e inseguranças aos corinthianos na fila. Responsávelmente o comandante manda-os se retirar. Logo estavamso entrando. Única falha grosseira : Não tinha catracas e pegavam nossos ingressos na mão. Rasgavam. Como pode rasgar o comprovante da entrada paga, sendo o ingresso nossa apolice de seguro do evento ? Ainda não se enxega o torcedor como consumidores, isso é claro.
Dentro do estádio sem maiores problemas. Corinthians consagrou-se Tri-campeão da Copa do Brasil e fizemos a festa.
Na saída transitamos sem maiores problemas e acompanhado da escolta até as estradas de saída do sul.
Parabéns pelo processo organizativo. Me senti torcedor respeitado. Raro no futebol brasileiro.
Mas venho testemunhar o processo organizativo desenvolvido no Rio Grande do Sul. O Plano desenvolvido pelos dirigentes e policiamento do sul foi ótimo. Sou muito atento neste sentido e não presenciei falhas grosseiras. Alguns exageros com torcedores tentando entrar sem ingresso, mas sem maiores problemas para resolverem.
Saimos de São Paulo sem problemas. Com uma bela compra em nosso bus, fomos em verdadeira confraternização, regado com cerveja e samba, verdadeiro alto astral.
Fizemos uma bela viagem e chegando ao Sul começamos a ser parados pelo policiamento. Nunca esperamos tratamento cordial, respeitoso. Mas la isso aconteceu.
O policiamento iniciou nosso acompanhamento e determinado ponto tinha uma área planejada para a torcida do corinthians desembarcar. A revista é normal nos procedimentos e geralmente feito de maneira hostil. Não nos aconteceu. Descemos e fomos revistados normalmente, sem hostilidade e livre para se alimentar e ir aos banheiros quimicos disponiveis. Sim, revista sem hostilidade, área de alimentação e com banheiros químicos. Raro este preparo para torcida visitante em qualquer estado.
Após esta etapa, entrar no estádio. Pequena fila. Um cordão de policiamento e uma fileira de cavalos para organizar tal entrada. Alguns policiais sempre pegando algum torcedor tentando adentrar sem ingresso. Isso os tirava do sério. Foi notado pelo responsável do policiamento que os cavalos ali atrapalhavam a organização, trazendo transtornos e inseguranças aos corinthianos na fila. Responsávelmente o comandante manda-os se retirar. Logo estavamso entrando. Única falha grosseira : Não tinha catracas e pegavam nossos ingressos na mão. Rasgavam. Como pode rasgar o comprovante da entrada paga, sendo o ingresso nossa apolice de seguro do evento ? Ainda não se enxega o torcedor como consumidores, isso é claro.
Dentro do estádio sem maiores problemas. Corinthians consagrou-se Tri-campeão da Copa do Brasil e fizemos a festa.
Na saída transitamos sem maiores problemas e acompanhado da escolta até as estradas de saída do sul.
Parabéns pelo processo organizativo. Me senti torcedor respeitado. Raro no futebol brasileiro.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Em nome da segurança, punem-se as vítimas das tragédias urbanas
Por Sandro Barbosa
Antecedentes e contexto do clássico paulista
Na partida de futebol realizada dia 15 de fevereiro de 2009 no estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) entre São Paulo e Corinthians pela 7ª rodada do campeonato paulista sobrou violência e faltou futebol. Ao contrário do que noticiou os telejornais e as mídias impressas, por meio de jargões e roteiros editoriais já carimbados tipo “torcida entra em confronto com policiais”, e que buscam formar a opinião pública reforçando o cenário de medo e insegurança na população, as vítimas nos acontecimentos antes, durante e após o clássico foram os próprios torcedores (e cidadãos, não se pode esquecer disto) presentes no estádio.
A confusão se iniciou durante a semana com o anúncio da diretoria do São Paulo Futebol Clube de que faria valer o seu “direito” de destinar 10% dos ingressos à torcida visitante, do Sport Club Corinthians Paulista. Esta atitude, evidentemente, contribuiu para um ambiente hostil e de indignação por parte de torcedores corintianos, e infringiu o Estatuto do Torcedor, que não estabelece limites para torcedores visitantes, e que a exemplo de outros estatutos, é uma emenda constitucional.
O fato é que deste há muitos anos o Corinthians vem realizando os seus mandos de jogos contra o São Paulo no estádio do Morumbi (do SPFC), mantendo um acordo tácito que viabilizava a divisão do estádio em iguais partes para seus torcedores. Da mesma forma, o São Paulo quando mandante dos jogos retribuía o acordo. Contudo, o anuncio da mudança em plena semana do clássico gerou muita confusão e contribuiu para se inflamar os ânimos, já que a diretoria menenge e eficiente do SPFC resolveu de última hora mudar os critérios quebrando um acordo de cavalheiros entre clubes.
Após a partida, foram divulgadas imagens dos conflitos entre policiais e torcedores, nas quais as próprias imagens denunciam a ação policial de controle e repressão à multidão presente ao estádio, prática já conhecida desde os tempos de ditadura militar. Contudo, nada foi mencionado sobre a logística que envolve este clássico, o que remete considerar as possíveis falhas na condução desta operação, ao mesmo tempo em que os agentes responsáveis pela organização – Federação Paulista de Futebol, São Paulo Futebol Clube (clube mandante) e Polícia Militar (responsável pela segurança – de quem afinal?) – (des)aparecem de cena, se diluindo nos jargões dos telejornais e nas imagens das arquibandas e dos veículos destruídos durante o conflito, restando um único agente culpado: a torcida corintiana, que pagou caro pelos ingressos, além de levar bombas de gás, balas de borracha e ser profundamente agredida num dos estádios que pretende sediar a Copa do Mundo de 2014.
A diretoria do SPFC procurou se esquivar e fugir de suas responsabilidades, pois, como se sabe, o clube mandante é responsável pelo quê acontece no estádio. Um país que pretende sediar uma Copa do Mundo demonstra ainda amadorismo, cinismo e irresponsabilidade social na organização deste esporte tão popular, culpabilizando as vítimas dos processos em nome da segurança pública, ocultando a cultura patrimonialista presente nas imagens nos telejornais que enfatiza a destruição do alambrado de vidro, das cadeiras do estádio e carros na garagem (as coisas), e apresenta em segundo plano os torcedores (as pessoas) feridos durante a ação policial dentro do estádio.
Síntese de muitas determinações sociais
Os acontecimentos do clássico somados aos tantos outros já ocorridos no futebol revelam a necessidade de se discutir seriamente o fenômeno, ao invés de se buscar a punição como remédio às mazelas sociais e tentar resolver rapidamente um problema insolúvel neste tipo de sociedade.
O jornalista Juca Kfouri contribui para um ponto de partida destacando que “se a paz que se quer é a dos cemitérios, proíba-se o torcedor de ir aos estádios e pronto! Ninguém, também, pode ser proibido de comprar ingressos para os lugares que estiverem à venda. O Estatuto do Torcedor exige, aliás, que todos os lugares sejam numerados, algo que o Ministério Público deveria fiscalizar e não fiscaliza”1. Ao invés de propor redução para 5% da torcida visitante, o Ministério deveria cumprir o seu papel de “Ministério Público” e agir em nome do interesse público, exigindo o que também faltou no clássico que é o tal “Plano de Jogo”, o que poderia ter evitado o que ocorreu durante a entrada, com a torcida são paulina, e na saída, com a corintiana. É mais fácil punir do que educar, e sabemos como andam as “pernas” da educação neste país.
Os meios de comunicação também são responsáveis pelos acontecimentos, na medida em que noticiam e na forma como noticiam. Esquecem-se (e fazem questão de esquecer) que o futebol, esporte tão popularizado no mundo, mexe com as emoções dos indivíduos, tornando-se um momento da vida social das pessoas que lhes possibilita aflorar suas emoções, já que em muitos outros momentos de sua vida as possibilidades são menores.
Contudo, tornou-se esse momento da vida social que nos remete aos processos sociais que vão além do mundo do futebol, e que devido aos interesses privados que lhe envolve, não se trata devidamente o problema ocultando suas verdadeiras causas.
A violência das torcidas é uma expressão fenomênica de diversos aspectos das violências na vida social das pessoas: no trabalho, na escola, nas ruas, na luta cotidiana pela sobrevivência, etc. Expressa tão somente que ao assumir a condição de um poder social incontrolável por meio do grupo, mediado por uma alienação e uma fragmentação objetiva que dificulta o seu reconhecimento enquanto ser social, os indivíduos sentem-se poderosos, ao mesmo tempo em que, de forma geral, não foram educados para lidar com este poder, já que sofrem com as determinações sociais que os isolam enquanto indivíduos, num estranhamento que se dá na própria produção social da vida.
Como há uma dificuldade objetiva no reconhecimento do seu pleno ser social devido a tal estranhamento, a construção da identidade ocorre por meio do grupo, e no caso do futebol por meio das torcidas organizadas. Muitas vezes esse poder social do grupo se manifesta de forma violenta e trágica, pois suas identidades se manifestam através de um poder simbólico2 que expressa sua exteriorização e consequente naturalização quando interiorizado. Por meio de um processo chamado por Sartre de serialidade3, indivíduos “produzidos” de forma serial, podemos enxergar as consequências das tendências homogeinizantes e a força das representações sociais presentes no futebol e na sociedade.
O fenômeno das torcidas organizadas de futebol precisa ser encarado como um processo social ao invés de ser sistematicamente criminalizado. A criminalização está presente em qualquer abordagem que se procura fazer sobre agrupamentos e fenômenos sociais que envolvem e expressam os conflitos da própria sociedade brasileira. Neste sentido, mundo social e mundo do futebol não deveriam aparecer dissociados, e tal fenômeno acompanhou o desenvolvimento da sociedade.
O crescimento e a organização do futebol em ligas e federações acompanhou o crescimento das cidades desde o início do século XX, como demonstra Toledo (1996 : p.15):
As construções de estádios e praças esportivas estiveram em consonância com o crescimento da popularização do futebol. Simbolicamente o futebol contaminou o imaginário urbano, recriando comportamentos, inaugurando linguagens, gírias que, como se sabe, vieram a transcender os limites das praças esportivas, enriquecendo uma linguagem popular e urbana, aproximando segmentos sociais até então separados por uma segregação espacial e étnica.
Com a expansão das cidades e a multiplicação acelerada da massa trabalhadora, devido a grande concentração do pólo produtivo, ocorreram imensas ondas migratórias para os grandes centros urbanos. Essas pessoas que buscaram nos centros urbanos melhorias para suas condições de vida se encontraram com pessoas de culturas e diferentes origens, o que expressou o distanciamento das raízes e tradições de suas terras de origem.
Neste contexto, Sevcenko (1994 : p.35) destacou que as pessoas “buscaram novos traços de identidade e de solidariedade coletiva, de novas bases emocionais de coesão que substituísse as comunidades e laços de parentesco que cada um deixou ao emigrar, essas pessoas se vêem atraídas, dragadas para a paixão futebolística que irmana estranhos, os faz comungarem ideais, objetivos e sonhos, consolida gigantescas famílias vestindo as mesmas cores [...]”.
Todavia, recentemente a vida urbana se expandiu para as fronteiras rurais, transformando o campo e a cidade em irmãos siameses no modo de vida social urbano. Esse processo não ocorre sem contradições e conflitos sociais, que se refletem em diversas dimensões da vida social, e se expressam também no futebol.
As torcidas de futebol, por sua vez, possuem a propriedade de reunir “na mesma massa” pessoas em situações e posições sociais diversas, homogeneizando, em torno do simbolismo dos clubes, as suas diferenças. Neste processo, um mecanismo importante é o uniforme de cada clube: ao mesmo tempo em que separa e distingue cada uma das torcidas, ele “despe” cada torcedor de sua identidade de classe, e o integra em um novo contexto, profundamente indiferenciado.
Segundo Araújo (1982) existe no futebol uma esfera de decisão privada, na qual cada torcedor tem liberdade para julgar e escolher segundo suas próprias inclinações, sem ter que sofrer qualquer interferência, já que suas escolhas são de foro íntimo. Alguns podem argumentar que o governo britânico acabou com os hooligans, mas se esquecem de que aqui não é a Inglaterra e de que somos fruto de uma formação social particular com especificidades próprias e contradições mais acentuadas.
Esta dimensão está, de certo modo, tomada pelo individualismo que predomina na sociedade, produzido por suas relações sociais de produção. Vivemos o reinado do “umbigo-rei” produzido pelas relações sociais do modo de produção capital, em que se coisifica as relações humanas e se humanizam as coisas, provocando conseqüências devastadoras para a vida em sociedade. A criatura dominou o criador, e neste contexto, é preciso se ater ao público que freqüenta atualmente os estádios, formado por um contingente majoritário de adolescentes e jovens, que estão em processo de formação enquanto pessoas, cidadãos e seres humanos, e são educados de diferentes formas e condições, ao mesmo tempo em que interiorizam os valores sociais produzidos por tais relações.
Neste sentido, portanto, a violência maior que se pode destacar neste acontecimento é a não promoção de um debate sério e propositivo entre as pessoas e instituições (ir)responsáveis que organizam o futebol e a sociedade, que de forma geral, permita visualizar os nexos causais do problema, e viabilizar medidas que contribuam com uma solução gradativa e não punitiva. Este acontecimento revela a falência e os limites das instituições que, diante deste problema de natureza social e com conseqüências humanas, se restringem aos seus interesses particulares e muitas vezes mesquinhos, desconsiderando os torcedores, de forma geral, como pessoas humanas: produtores e produtos da sociedade em que vivem. Como poeticamente canta o grupo O Rappa “A minha alma está armada e apontada para a cara do sossego. Pois paz sem voz não é paz é medo”.
Sandro Barbosa de Oliveira
ontologicosan@hotmail.com
Referências Bibliográficas
ARAÚJO, R. B. de. “Força estranha”. In.: Ciência hoje, ano I, 1, jul/ago, 1982.
TOLEDO, L. H. Torcidas Organizadas de Futebol. Campinas: ANPOCS, 1996.
SEVCENKO, N. Futebol, Metrópole e Desatinos. São Paulo: Revista da USP – Dossiê Futebol, nº 22, 1994.
Antecedentes e contexto do clássico paulista
Na partida de futebol realizada dia 15 de fevereiro de 2009 no estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) entre São Paulo e Corinthians pela 7ª rodada do campeonato paulista sobrou violência e faltou futebol. Ao contrário do que noticiou os telejornais e as mídias impressas, por meio de jargões e roteiros editoriais já carimbados tipo “torcida entra em confronto com policiais”, e que buscam formar a opinião pública reforçando o cenário de medo e insegurança na população, as vítimas nos acontecimentos antes, durante e após o clássico foram os próprios torcedores (e cidadãos, não se pode esquecer disto) presentes no estádio.
A confusão se iniciou durante a semana com o anúncio da diretoria do São Paulo Futebol Clube de que faria valer o seu “direito” de destinar 10% dos ingressos à torcida visitante, do Sport Club Corinthians Paulista. Esta atitude, evidentemente, contribuiu para um ambiente hostil e de indignação por parte de torcedores corintianos, e infringiu o Estatuto do Torcedor, que não estabelece limites para torcedores visitantes, e que a exemplo de outros estatutos, é uma emenda constitucional.
O fato é que deste há muitos anos o Corinthians vem realizando os seus mandos de jogos contra o São Paulo no estádio do Morumbi (do SPFC), mantendo um acordo tácito que viabilizava a divisão do estádio em iguais partes para seus torcedores. Da mesma forma, o São Paulo quando mandante dos jogos retribuía o acordo. Contudo, o anuncio da mudança em plena semana do clássico gerou muita confusão e contribuiu para se inflamar os ânimos, já que a diretoria menenge e eficiente do SPFC resolveu de última hora mudar os critérios quebrando um acordo de cavalheiros entre clubes.
Após a partida, foram divulgadas imagens dos conflitos entre policiais e torcedores, nas quais as próprias imagens denunciam a ação policial de controle e repressão à multidão presente ao estádio, prática já conhecida desde os tempos de ditadura militar. Contudo, nada foi mencionado sobre a logística que envolve este clássico, o que remete considerar as possíveis falhas na condução desta operação, ao mesmo tempo em que os agentes responsáveis pela organização – Federação Paulista de Futebol, São Paulo Futebol Clube (clube mandante) e Polícia Militar (responsável pela segurança – de quem afinal?) – (des)aparecem de cena, se diluindo nos jargões dos telejornais e nas imagens das arquibandas e dos veículos destruídos durante o conflito, restando um único agente culpado: a torcida corintiana, que pagou caro pelos ingressos, além de levar bombas de gás, balas de borracha e ser profundamente agredida num dos estádios que pretende sediar a Copa do Mundo de 2014.
A diretoria do SPFC procurou se esquivar e fugir de suas responsabilidades, pois, como se sabe, o clube mandante é responsável pelo quê acontece no estádio. Um país que pretende sediar uma Copa do Mundo demonstra ainda amadorismo, cinismo e irresponsabilidade social na organização deste esporte tão popular, culpabilizando as vítimas dos processos em nome da segurança pública, ocultando a cultura patrimonialista presente nas imagens nos telejornais que enfatiza a destruição do alambrado de vidro, das cadeiras do estádio e carros na garagem (as coisas), e apresenta em segundo plano os torcedores (as pessoas) feridos durante a ação policial dentro do estádio.
Síntese de muitas determinações sociais
Os acontecimentos do clássico somados aos tantos outros já ocorridos no futebol revelam a necessidade de se discutir seriamente o fenômeno, ao invés de se buscar a punição como remédio às mazelas sociais e tentar resolver rapidamente um problema insolúvel neste tipo de sociedade.
O jornalista Juca Kfouri contribui para um ponto de partida destacando que “se a paz que se quer é a dos cemitérios, proíba-se o torcedor de ir aos estádios e pronto! Ninguém, também, pode ser proibido de comprar ingressos para os lugares que estiverem à venda. O Estatuto do Torcedor exige, aliás, que todos os lugares sejam numerados, algo que o Ministério Público deveria fiscalizar e não fiscaliza”1. Ao invés de propor redução para 5% da torcida visitante, o Ministério deveria cumprir o seu papel de “Ministério Público” e agir em nome do interesse público, exigindo o que também faltou no clássico que é o tal “Plano de Jogo”, o que poderia ter evitado o que ocorreu durante a entrada, com a torcida são paulina, e na saída, com a corintiana. É mais fácil punir do que educar, e sabemos como andam as “pernas” da educação neste país.
Os meios de comunicação também são responsáveis pelos acontecimentos, na medida em que noticiam e na forma como noticiam. Esquecem-se (e fazem questão de esquecer) que o futebol, esporte tão popularizado no mundo, mexe com as emoções dos indivíduos, tornando-se um momento da vida social das pessoas que lhes possibilita aflorar suas emoções, já que em muitos outros momentos de sua vida as possibilidades são menores.
Contudo, tornou-se esse momento da vida social que nos remete aos processos sociais que vão além do mundo do futebol, e que devido aos interesses privados que lhe envolve, não se trata devidamente o problema ocultando suas verdadeiras causas.
A violência das torcidas é uma expressão fenomênica de diversos aspectos das violências na vida social das pessoas: no trabalho, na escola, nas ruas, na luta cotidiana pela sobrevivência, etc. Expressa tão somente que ao assumir a condição de um poder social incontrolável por meio do grupo, mediado por uma alienação e uma fragmentação objetiva que dificulta o seu reconhecimento enquanto ser social, os indivíduos sentem-se poderosos, ao mesmo tempo em que, de forma geral, não foram educados para lidar com este poder, já que sofrem com as determinações sociais que os isolam enquanto indivíduos, num estranhamento que se dá na própria produção social da vida.
Como há uma dificuldade objetiva no reconhecimento do seu pleno ser social devido a tal estranhamento, a construção da identidade ocorre por meio do grupo, e no caso do futebol por meio das torcidas organizadas. Muitas vezes esse poder social do grupo se manifesta de forma violenta e trágica, pois suas identidades se manifestam através de um poder simbólico2 que expressa sua exteriorização e consequente naturalização quando interiorizado. Por meio de um processo chamado por Sartre de serialidade3, indivíduos “produzidos” de forma serial, podemos enxergar as consequências das tendências homogeinizantes e a força das representações sociais presentes no futebol e na sociedade.
O fenômeno das torcidas organizadas de futebol precisa ser encarado como um processo social ao invés de ser sistematicamente criminalizado. A criminalização está presente em qualquer abordagem que se procura fazer sobre agrupamentos e fenômenos sociais que envolvem e expressam os conflitos da própria sociedade brasileira. Neste sentido, mundo social e mundo do futebol não deveriam aparecer dissociados, e tal fenômeno acompanhou o desenvolvimento da sociedade.
O crescimento e a organização do futebol em ligas e federações acompanhou o crescimento das cidades desde o início do século XX, como demonstra Toledo (1996 : p.15):
As construções de estádios e praças esportivas estiveram em consonância com o crescimento da popularização do futebol. Simbolicamente o futebol contaminou o imaginário urbano, recriando comportamentos, inaugurando linguagens, gírias que, como se sabe, vieram a transcender os limites das praças esportivas, enriquecendo uma linguagem popular e urbana, aproximando segmentos sociais até então separados por uma segregação espacial e étnica.
Com a expansão das cidades e a multiplicação acelerada da massa trabalhadora, devido a grande concentração do pólo produtivo, ocorreram imensas ondas migratórias para os grandes centros urbanos. Essas pessoas que buscaram nos centros urbanos melhorias para suas condições de vida se encontraram com pessoas de culturas e diferentes origens, o que expressou o distanciamento das raízes e tradições de suas terras de origem.
Neste contexto, Sevcenko (1994 : p.35) destacou que as pessoas “buscaram novos traços de identidade e de solidariedade coletiva, de novas bases emocionais de coesão que substituísse as comunidades e laços de parentesco que cada um deixou ao emigrar, essas pessoas se vêem atraídas, dragadas para a paixão futebolística que irmana estranhos, os faz comungarem ideais, objetivos e sonhos, consolida gigantescas famílias vestindo as mesmas cores [...]”.
Todavia, recentemente a vida urbana se expandiu para as fronteiras rurais, transformando o campo e a cidade em irmãos siameses no modo de vida social urbano. Esse processo não ocorre sem contradições e conflitos sociais, que se refletem em diversas dimensões da vida social, e se expressam também no futebol.
As torcidas de futebol, por sua vez, possuem a propriedade de reunir “na mesma massa” pessoas em situações e posições sociais diversas, homogeneizando, em torno do simbolismo dos clubes, as suas diferenças. Neste processo, um mecanismo importante é o uniforme de cada clube: ao mesmo tempo em que separa e distingue cada uma das torcidas, ele “despe” cada torcedor de sua identidade de classe, e o integra em um novo contexto, profundamente indiferenciado.
Segundo Araújo (1982) existe no futebol uma esfera de decisão privada, na qual cada torcedor tem liberdade para julgar e escolher segundo suas próprias inclinações, sem ter que sofrer qualquer interferência, já que suas escolhas são de foro íntimo. Alguns podem argumentar que o governo britânico acabou com os hooligans, mas se esquecem de que aqui não é a Inglaterra e de que somos fruto de uma formação social particular com especificidades próprias e contradições mais acentuadas.
Esta dimensão está, de certo modo, tomada pelo individualismo que predomina na sociedade, produzido por suas relações sociais de produção. Vivemos o reinado do “umbigo-rei” produzido pelas relações sociais do modo de produção capital, em que se coisifica as relações humanas e se humanizam as coisas, provocando conseqüências devastadoras para a vida em sociedade. A criatura dominou o criador, e neste contexto, é preciso se ater ao público que freqüenta atualmente os estádios, formado por um contingente majoritário de adolescentes e jovens, que estão em processo de formação enquanto pessoas, cidadãos e seres humanos, e são educados de diferentes formas e condições, ao mesmo tempo em que interiorizam os valores sociais produzidos por tais relações.
Neste sentido, portanto, a violência maior que se pode destacar neste acontecimento é a não promoção de um debate sério e propositivo entre as pessoas e instituições (ir)responsáveis que organizam o futebol e a sociedade, que de forma geral, permita visualizar os nexos causais do problema, e viabilizar medidas que contribuam com uma solução gradativa e não punitiva. Este acontecimento revela a falência e os limites das instituições que, diante deste problema de natureza social e com conseqüências humanas, se restringem aos seus interesses particulares e muitas vezes mesquinhos, desconsiderando os torcedores, de forma geral, como pessoas humanas: produtores e produtos da sociedade em que vivem. Como poeticamente canta o grupo O Rappa “A minha alma está armada e apontada para a cara do sossego. Pois paz sem voz não é paz é medo”.
Sandro Barbosa de Oliveira
ontologicosan@hotmail.com
Referências Bibliográficas
ARAÚJO, R. B. de. “Força estranha”. In.: Ciência hoje, ano I, 1, jul/ago, 1982.
TOLEDO, L. H. Torcidas Organizadas de Futebol. Campinas: ANPOCS, 1996.
SEVCENKO, N. Futebol, Metrópole e Desatinos. São Paulo: Revista da USP – Dossiê Futebol, nº 22, 1994.
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